Entre lágrimas e fé: promessas cumpridas encontram cuidado e esperança no posto de socorros

Posto de Socorros é um apoio às festas tratando das feridas físicas…e da alma

Foto: promessas no campo de São Francisco

No ambiente intenso e carregado de emoção das celebrações do Senhor Santo Cristo, há histórias que se cruzam entre a dor, a esperança e a gratidão. No posto de socorros dinamizado pela Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição, no âmbito do projeto “A fé que nos move”, não se tratam apenas feridas físicas, acolhem-se também testemunhos profundos de fé.

Desde a madrugada, enquanto a equipa de cerca de 30 voluntários — entre enfermeiros, auxiliares e colaboradores, com apoio da Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada — presta cuidados e conforto, chegam peregrinos marcados por histórias de vida intensas.

Foi o caso de Júlia Tavares, da Ribeirinha, que viveu um momento único: “Foi uma emoção muito forte. Pedi pela minha mãe, de joelhos… foi a primeira vez. Tenho uma fé muito grande. Vim pedir e agradecer, pedir muita força… a minha mãe está à espera para ser operada.”

Também Maria de Fátima Medeiros, das Sete Cidades, trouxe consigo uma promessa carregada de significado: “Esta promessa significa muito. A minha filha tem esclerose múltipla… chegou a perder a visão de um lado e pensávamos que não ia recuperar. Mas felizmente tudo correu bem. Agarrei-me muito ao Senhor Santo Cristo. Como tem surtos de remissão, vim pagar a promessa. Fui operada e não consegui fazê-la no tempo certo… agora estou em paz e peço que ela tenha qualidade de vida.”

Histórias como estas dão ainda mais sentido ao trabalho desenvolvido no posto de socorros. Sob a coordenação de Maria João Melo, diretora da Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição, o espaço funciona como ponto de chegada para muitos peregrinos após cumprirem as suas promessas,  alguns em silêncio, outros com palavras carregadas de emoção.

Além dos cuidados de saúde, o acolhimento faz a diferença: um chá quente, um café ou simplesmente um lugar para descansar tornam-se gestos simbólicos, mas profundamente humanos.

Apesar de uma manhã inicialmente mais calma — possivelmente influenciada pelas condições meteorológicas — o movimento tem vindo a crescer, refletindo a persistência da devoção que, ano após ano, leva centenas de pessoas às ruas.

Neste cenário, o posto de socorros assume-se como mais do que um apoio clínico: é um espaço onde a fé encontra amparo, onde o sofrimento ganha voz e onde cada promessa cumprida carrega consigo uma história de superação.

Esta tarde, a procissão da mudança, com saída às 16h30, é um dos momentos onde os peregrinos que cumprem promessas mais participam. A procissão dará a volta ao campo de São Francisco e a imagem será acompanhada pela Banda de Nossa Senhora da Guadalupe, Graciosa, que é a filarmónica convidada para a festa deste ano.

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