Santuário acolhe emigrantes numa receção inédita que reuniu cerca de 80 participantes

“Sejam todos bem-vindos a casa”, disse D. Armando Esteves Domingues que também participou na recepção, juntamente com o cardeal António Marto

Na tarde de hoje, o Santuário viveu um momento inédito com a realização da primeira receção oficial a emigrantes, reunindo cerca de 80 participantes oriundos dos Estados Unidos da América e do Canadá. A iniciativa marcou um passo significativo na aproximação da comunidade emigrante às suas raízes espirituais e culturais, num ambiente de acolhimento e partilha.

O programa, que contou com a presença do bispo de Angra e do cardeal D. António Marto, que vai presidir às festas,  incluiu uma visita guiada ao Convento da Esperança, com destaque para o coro baixo, já ornamentado, e o coro alto, este último menos conhecido e apresentado como um “lugar nobre, de governo e de visita”, sublinhando a sua importância histórica e simbólica. Os participantes foram organizados em dois grupos, permitindo uma experiência mais próxima e detalhada do espaço e do seu património.

Durante a receção, o reitor,  o cónego Manuel Carlos Alves, destacou a importância do acolhimento e da abertura do convento à comunidade.

“A nossa relação com Deus é assim: acolher todos e prepararmo-nos para estar”, afirmou, sublinhando a necessidade de tornar acessível o vasto património do espaço. O sacerdote defendeu ainda a criação de um projeto estruturado que permita valorizar o “tesouro” existente, desde o espólio associado à Madre Teresa até aos diversos documentos históricos.

“Temos espaço, mas precisamos de pessoas que pensem e projetem”, acrescentou, apelando ao envolvimento ativo, incluindo o contributo dos emigrantes.

O responsável referiu também a importância de inventariar, classificar e disponibilizar o acervo documental a investigadores, considerando essencial preservar e dar a conhecer esta herança. Num tom mais espiritual, convidou os presentes a refletirem sobre o sentido do acolhimento: “Olhem para o Senhor. Ele vai olhar para todos vós. É nesse olhar que percebemos que o acolhimento de Deus está presente.”

Também o bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, dirigiu palavras de forte emoção aos emigrantes, dando-lhes as boas-vindas “a casa”.

Na sua intervenção, destacou a identidade e a religiosidade do povo açoriano: “Os açorianos destacam-se porque levam consigo uma fé que marca o mundo. Mais do que a sua casa, o açoriano leva a sua fé.”

O prelado sublinhou ainda o papel essencial das comunidades emigrantes na vitalidade das ilhas, reconhecendo a sua generosidade e ligação contínua à terra natal, nomeadamente nas suas paróquias de nascimento.

“Muitas das nossas igrejas, festas e comunidades não teriam a mesma beleza sem o vosso contributo”, afirmou, acrescentando que “este abraço do Santuário é também um abraço da diocese”.

Numa referência ao momento histórico que a Igreja local atravessa, Dom Armando evocou os 500 anos da diocese e a riqueza da sua história, marcada pela presença de ordens religiosas como os franciscanos. “Aqui, o coração bate mais forte”, disse, destacando o valor simbólico do reencontro entre fé, identidade e pertença.

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