Flores que guiam a fé: o “caminho” toma forma no Santuário do Senhor Santo Cristo

Este ano, o tema do coro baixo é inspirado na ideia do caminho, a partir do evangelho de João

Foto: Santuário do Senhor Santo Cristo

As decorações florais do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres voltam a transformar o espaço num cenário de profunda espiritualidade e significado. Este ano, o coro baixo, conhecido como “jardim do Senhor”, assume-se como ponto de partida de uma mensagem central: Cristo como caminho, verdade e vida. A partir desta inspiração bíblica, os arranjos convidam os fiéis a uma experiência de contemplação e reflexão, onde cada cor e cada forma apontam para um percurso interior de fé.

Ao longo dos dias que antecedem as festas, cerca de duas dezenas de voluntários dedicam tempo e esforço à preparação de cada detalhe. Entre eles está Paulo Jorge, responsável este ano pela concepção da ornamentação do Coro Baixo. Há 25 anos que colabora com o Santuário. A proposta deste ano materializa-se na criação de caminhos florais que conduzem simbolicamente até Cristo.

“Queremos que tudo leve a Jesus. Os caminhos representam também a nossa vida, com momentos mais claros e outros mais difíceis, mas sempre orientados para Ele”, explica.

A escolha das cores reforça essa narrativa: o branco evoca a paz e a simplicidade; o amarelo, a amizade e a felicidade; o laranja, a fertilidade e a prosperidade; o rosa, o amor e a serenidade; e o vermelho, simultaneamente paixão, perdão e os desafios da vida. Uma paleta que traduz emoções e etapas de um percurso espiritual.

Paulo Moura, Licenciado em Relações Públicas e Comunicação pela Universidade dos Açores e mestre em Gestão e Valorização de Património Histórico e Cultural pela Universidade de Évora, não é florista de formação, mas vê nesta missão uma extensão da sua fé e dedicação. Cresceu com a devoção ao Senhor Santo Cristo, inspirada pela sua avó, e encara o desafio como uma oportunidade para dar o seu contributo pessoal, ao mesmo tempo que assiste à abertura do Santuário aos mais jovens.

“Estamos a trabalhar para que a Igreja fique digna do Senhor Santo Cristo. Nunca está perfeita, porque todos os anos há sempre algo a melhorar, mas damos sempre o melhor de nós”, afirma.

Mais do que estética, há uma intencionalidade clara nas escolhas. Este ano, optou-se por não recorrer a símbolos visuais explícitos, privilegiando antes uma mensagem direta inspirada no Evangelho de São João: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Para Paulo Moura, este amor traduz-se em serviço. “Não é apenas um amor abstrato. É dar tempo, dar de nós, como estamos a fazer aqui, ao colocar nos altares as promessas, as dores e as alegrias das pessoas.”

Também entre os voluntários está Raquel Machado,  Professora de Música no Conservatório regional de Ponta Delgada e maestrina do Coro de São pedro, em Ponta Delgada. A música é a sua paixão, e a devoção dedica-a inteiramente ao Senhor Santo Cristo. Há quatro anos que colabora como voluntária, com uma participação ativa nos preparativos. Para ela, a fé manifesta-se desde a oferta das flores até à construção dos arranjos.

“É um ato de amor. Cada flor traz consigo uma intenção, uma história, e isso sente-se quando estamos aqui a trabalhar.”

A participação da comunidade é, aliás, um dos pilares destas decorações. Este ano, junta-se ainda um apelo do Serviço Diocesano à Juventude para a confeção de tapetes florais, sobretudo em redor do Campo de São Francisco, reforçando o envolvimento dos mais jovens na vivência das festas.

Entre tradição e renovação, o Santuário volta assim a encher-se de cor, perfume e significado. Mais do que um cenário, as flores tornam-se linguagem,  um convite silencioso a percorrer, com fé, o caminho que conduz ao essencial.

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