“Desatar as mãos para servir”: mensagem marca o terceiro dia do tríduo e aproxima fiéis do espírito pascal

No terceiro dia do tríduo preparatório, o padre Paulo Duarte desafiou os fiéis a “desatar as mãos para o serviço”, numa reflexão centrada na vivência comunitária da fé, na superação da indiferença e no verdadeiro sentido pascal da devoção ao Senhor Santo Cristo

Foto: Santuário do Senhor Santo Cristo _26

Na véspera do início da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o ambiente espiritual intensifica-se e, segundo o pregador,  padre Paulo Duarte, “o coração já habita nas celebrações”, mesmo antes do seu início formal. A intervenção, no último dia do tríduo, destacou que, embora cada fiel viva a fé de forma individual, todos fazem parte de uma mesma comunidade eclesial, unida não pelo uniformismo, mas pela diversidade de dons e carismas orientados pelo Espírito.

Uma das ideias centrais da reflexão incidiu sobre a necessidade de evitar uma visão rígida da tradição. O sacerdote alertou que esta não deve ser imposta, mas vivida como caminho de transformação interior, sublinhando que a verdadeira conversão nasce da ação do Espírito e conduz ao bem maior.

Num mundo marcado pelo “cansaço e ruído”, foi reforçada a urgência de uma espiritualidade aberta ao outro. O padre Paulo Duarte advertiu contra a “arrogância espiritual” e a idolatria da devoção, que ocorre quando práticas religiosas são absolutizadas em detrimento da atenção ao próximo. Como exemplo concreto, questionou a atitude dos fiéis ao participarem nas manifestações públicas de fé, desafiando-os a olhar verdadeiramente para quem encontram.

A imagem do Senhor Santo Cristo, com as mãos atadas, serviu de símbolo forte para a mensagem do dia.

“Não teremos de ser nós a desatar as nossas mãos?”, questionou o pregador, apelando a uma fé ativa que se traduz em serviço. Segundo explicou, o olhar de Cristo interpela cada fiel a tornar-se instrumento de ação, prolongando o amor de Deus através de gestos concretos.

A reflexão incluiu ainda referências ao Evangelho, nomeadamente à mensagem de Mateus 25 e às bem-aventuranças, reforçando a importância de reconhecer o outro como irmão e de evitar relações marcadas pela indiferença ou conflito. “Se estamos em discórdia, que testemunho damos?”, interrogou.

O conceito de “permanecer no amor de Cristo” foi apresentado como essencial, implicando continuidade, compromisso e transformação. De acordo com o sacerdote, é nessa permanência que reside a verdadeira alegria e o sentido mais profundo das festas.

A celebração terminou com um apelo à oração e à construção de uma comunidade geradora de paz.

“Homens e mulheres de oração”, pediu o pregador, desejando que o convento continue a ser um lugar de onde irradia serenidade e serviço.

O terceiro dia do tríduo ficou, assim, marcado por uma mensagem clara e exigente: preparar as festas é, acima de tudo, preparar o coração para servir.

As festas começam hoje e serão presididas pelo cardeal António Marto, bispo emérito da diocese de Leiria-Fátima.

Foto:Santuário do Senhor Santo Cristo_26
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