Pregador do tríduo preparatório insiste na ideia da configuração do coração humano ao de Cristo

O padre Paulo Duarte, pregador do tríduo preparatório da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres, exortou hoje os peregrinos que “estão a fazer um caminho de conversão” a arrancarem o “coração de pedra”, para que um novo coração “possa latejar ao jeito do coração de Jesus, sincronizando-o com o Seu amor”.
Na reflexão desta segunda jornada espiritual, o pregador sublinhou a necessidade de abrir o coração para acolher as graças que Deus reserva a cada um.
“Por vezes elas não chegam porque estamos fechados”, afirmou, alertando para a tendência humana de se fixar apenas na própria vontade, sem deixar que a vontade de Jesus se revele plenamente.
Partindo da experiência comum de quem procura Deus sobretudo nos momentos de necessidade, evocando a imagem do filho pródigo, o sacerdote destacou que a verdadeira maturidade cristã acontece quando o pedido a Deus deixa de ser apenas individual e passa a ser comunitário.
“Cada vez mais cada um pede para si, mas o cristianismo impele-nos à comunidade”, referiu.
O jesuíta apelou ainda ao discernimento comunitário, recordando que o diálogo autêntico exige escuta, abertura ao outro e disponibilidade para que possa surgir algo novo. Nesse contexto, evocou o espírito do primeiro Concílio de Jerusalém como exemplo de caminho feito em conjunto pela Igreja nascente e que hoje é replicado no apelo do Papa Francisco, e agora do papa leão XIV à sinodalidade.
Depois de, no primeiro dia do tríduo, ter refletido sobre a escuta a partir da orelha da imagem do Senhor Santo Cristo, nesta celebração centrou a atenção no coração onde se encontra o relicário.
“O coração é o centro”, afirmou, comparando-o a uma espécie de armário onde cada pessoa guarda memórias, dores, ansiedades, nomes e histórias.
Inspirando-se em Maria, apresentada como aquela que “guardava tudo no coração”, o padre Paulo Duarte questionou os fiéis sobre aquilo que realmente habita o coração humano: “mágoas antigas, rigidez perante os outros ou disponibilidade para acolher aquilo que Jesus propõe”.
Ao contemplar o coração do Senhor Santo Cristo, onde repousa um fragmento da cruz, o pregador destacou também o apelo à humildade, ao perdão e à compaixão.
“Deixemo-nos podar daquilo que não dá fruto”, pediu, convidando os fiéis a viver este tempo de preparação espiritual como oportunidade de transformação interior.
