Preparar para transformar: padre Paulo Duarte desafia peregrinos do Senhor Santo Cristo a serem “voz e gestos anunciadores de comunhão e de vida”

No arranque do tríduo de preparação para a festa do Senhor Santo Cristo, o pregador, sacerdote jesuíta, apelou a uma vivência interior e transformadora da fé, defendendo que a verdadeira preparação espiritual deve conduzir à conversão pessoal e à construção de uma paz ativa no mundo

Foto: Santuário Senhor Santo Cristo

A homilia do primeiro dia do tríduo preparatório da festa do Senhor Santo Cristo, proferida pelo padre Paulo Duarte, jesuíta, ficou marcada por um forte apelo à transformação interior dos fiéis, mais do que ao simples cumprimento exterior das práticas religiosas. O padre Paulo Duarte sublinhou que este tempo de preparação, que antecede a festa,  deve ser vivido como um caminho profundo de encontro com Deus.

“Somos pessoas e não peças de uma engrenagem”, afirmou, destacando que a preparação para a festa não pode limitar-se a gestos automáticos ou rotineiros. Pelo contrário, exige uma disposição interior que leve cada pessoa a criar “o desejo do coração”.

“Quero sair da mesma forma ou deixar que o encontro com o Senhor me transforme numa pessoa que ame mais, numa pessoa que olhe para o irmão de forma compassiva?”, interpelou.

“O que dizemos de nós mesmos diante do Senhor Santo Cristo?

Somos voz e gestos anunciadores de comunhão e de vida?” prosseguiu o sacerdote que é o pregador do tríduo preparatório da festa deste ano que começa na próxima sexta feira, tendo como ponto alto as celebrações religiosas do fim-de-semana com a habitual procissão da mudança, com sermão e missa e procissão solenes, no domingo, momentos presididos pelo cardeal D. António Marto.

“Queremos cumprir exteriormente ou queremos transformar-nos?”, insistiu, alertando que uma vivência superficial da religião é insuficiente. Para o jesuíta, a verdadeira preparação deve levar à conversão e à ação: ser “voz de vida e gestos de comunhão” no quotidiano.

Ao longo da celebração do primeiro dia do tríduo, o padre Paulo Duarte insistiu na necessidade de cada peregrino ser capaz de ir ao “âmago de si mesmo”, promovendo uma preparação espiritual que seja simultaneamente remota e próxima, ao jeito dos ensinamentos de Santo Inácio de Loyola. Só assim, disse, será possível que a vivência da fé produza frutos concretos, como uma maior capacidade de amar e de olhar o próximo com compaixão.

Num mundo marcado pelo ruído, pela polarização e pela agitação constante, o padre Paulo Duarte chamou a atenção para a urgência da escuta interior. Referindo-se simbolicamente à imagem do Senhor Santo Cristo, sublinhou que, mesmo na humilhação, Cristo continua a escutar, convidando também os fiéis a cultivarem o silêncio como caminho para a verdade.

“Precisamos de nos libertar do passado e das coisas menos boas”, afirmou, reforçando que só uma escuta profunda permite essa renovação interior. Essa transformação, acrescentou, é essencial para que os fiéis possam assumir um papel ativo na construção da paz.

A celebração terminou com um convite claro à oração e ao compromisso de cada peregrino ser verdadeiramente  mensageiro da paz evangélica. Uma paz que, como destacou, não é ausência de conflito, mas uma força desarmada que nasce de Cristo e se concretiza na vida de cada crente.

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