Missa Campal foi presidida pelo bispo de Angra que desafiou os motards a levarem o evangelho para a estrada
O adro do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, transformou-se, pela primeira vez, num ponto de encontro da comunidade motard para a celebração da Bênção dos Capacetes. Na Missa campal, integrada na 11.ª Peregrinação Nacional da Bênção dos Capacetes ao Santuário de Fátima, o bispo de Angra desafiou os motociclistas a fazer da estrada um espaço de testemunho cristão, afirmando que “o Evangelho precisa de ser vivido sobre rodas”.
“Temos nas nossas mãos um veículo veloz que nos pode levar rapidamente a Cristo ou empapar-nos na lama da vida”, afirmou D. Armando Esteves Domingues, lançando aos participantes o desafio de serem “veículos de unidade” e de levarem consigo “o Evangelho da alegria e do convívio”.
A celebração, organizada pelo Clube Motard de São Roque – Sempre Livres, juntou fé, convívio e sensibilização para a segurança rodoviária e marcou uma nova expressão da peregrinação nos Açores. Este ano, além de Fátima, a iniciativa teve também momentos de celebração em Ponta Delgada e no Funchal.
Perante os motociclistas reunidos no espaço exterior do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o bispo de Angra começou por destacar a singularidade do momento: “Bem-vindos a esta igreja sem teto, mas que se reúne à volta da Senhora de Fátima e sob a sua proteção”.
A chegada sucessiva dos participantes serviu de ponto de partida para uma reflexão sobre a ação de Deus e o chamamento à missão.
“Parece que Jesus anda por aí a chamar um ou outro dispersos. O nosso Deus é um Deus em saída, que procura, que chama”, afirmou D. Armando Esteves Domingues, acrescentando que “quem chegar à última da hora ainda contará com a bênção do Senhor”.
Ao longo da homilia, a estrada tornou-se uma metáfora para a vida cristã. Seguir Cristo, afirmou o bispo de Angra, implica decisão, movimento e disponibilidade para sair da zona de conforto.
“Basta a tua decisão de arrancar, pôr o motor a trabalhar, sair do remanso, do conforto. O Senhor quer-nos a bulir”, disse.
Foi neste contexto que D. Armando Esteves Domingues lançou a ideia central da sua mensagem: “Há uma certeza: o Evangelho precisa de ser vivido sobre rodas”.
“É convosco que vai o Evangelho”, afirmou, associando a missão dos motociclistas à responsabilidade de testemunhar a fé nos lugares por onde passam.
“Quem não leva o Evangelho sobre rodas não espere que haja frutos”, acrescentou.
O bispo de Angra relacionou ainda esta atitude de saída com a forma como os cristãos se posicionam perante uma sociedade onde, segundo afirmou, se levantam frequentemente barreiras entre quem tem voz e quem é colocado à margem.
“Vivemos num mundo onde facilmente queremos calar as pessoas, quem tem mais direitos, quem merece o nosso alimento e quem não merece”, observou.
Em contraste, apresentou a atitude de Jesus, que “convida sobretudo os que não têm voz, os proscritos e vai à procura deles”, recordando episódios do Evangelho como os encontros com Zaqueu e a Samaritana.
“Os pequenos passos têm tanto significado. Nós não merecemos, mas temos que dar os passos”, afirmou, apontando para uma fé construída também através de gestos concretos e quotidianos.
A dimensão de comunhão esteve igualmente presente na celebração, com D. Armando Esteves Domingues a evocar os diferentes locais onde este ano se realizou a Bênção dos Capacetes.
“Vivemos um dia de unidade à volta de Nossa Senhora de Fátima”, afirmou, vendo nas celebrações de Fátima, do Funchal e dos Açores um sinal de união da Igreja em torno de uma mesma missão.
A parábola da vinha serviu também para sublinhar uma Igreja aberta e inclusiva.
“A vinha é grande, tem lugar para todos, tem salário para todos e todos têm nome e rosto”, afirmou.
No final da homilia, o bispo de Angra deixou uma palavra de reconhecimento à Associação Bênção dos Capacetes pelo trabalho desenvolvido na prevenção rodoviária, associando essa missão à responsabilidade individual de cada motociclista.
“Passa pela mão de cada um como trava e acelera”, afirmou, numa referência à responsabilidade que cada condutor assume quando está na estrada.
D. Armando Esteves Domingues apelou, por isso, a que os participantes sejam “veículos de unidade”, contribuindo para prevenir “o mundo de desgraças” e levando consigo “o Evangelho da alegria e do convívio”.
A Missa campal foi concelebrada pelo reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, cónego Manuel Carlos Alves, que acompanhou a organização do espaço litúrgico, e pelo padre André Resendes, capelão do Clube Motard de São Roque – Sempre Livres.
No próximo ano, o Clube Motard de São Roque – Sempre Livres integrará a organização da Peregrinação Nacional da Bênção dos Capacetes. A celebração nos Açores deverá, contudo, manter-se, consolidando o Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres como um novo ponto de encontro entre a comunidade motard e a Igreja.











