“Importa que esta Igreja se comporte à imagem e semelhança de Maria” assumindo “a sua alegria, a sua esperança, a sua humanidade e a sua disponibilidade”

Reitor presidiu à primeira de duas missas que neste dia serão celebradas no Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Ponta Delgada

Foto: Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres

“Importa que esta Igreja se comporte à imagem e semelhança de Maria”, afirmou este sábado o Reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo, na homilia da Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Santa Maria, desafiando os cristãos a fazerem da vida de Maria um modelo concreto de humildade, esperança, disponibilidade e serviço.

Na celebração de 15 de agosto, a Igreja recorda a Assunção de Maria ao Céu em corpo e alma, apresentando-a como sinal de esperança e de consolação para o povo cristão. Na reflexão do cónego Manuel Carlos Alves, a solenidade não deve ficar apenas pela contemplação ou exaltação da figura de Maria. Deve traduzir-se numa forma de viver.

“Importa que assumamos a sua alegria, a sua esperança, a sua humanidade e a sua disponibilidade para pôr em prática o seu exemplo na vida”, afirmou, defendendo que, ao olhar para a vida de Maria, os cristãos devem “estabelecer a mesma meta”, fazendo das suas características um objetivo para a própria existência.

A humildade surge, assim, como uma das marcas fundamentais do comportamento de Maria. O seu modo de viver é apresentado como o de uma mulher “humilde, esperançosa, cheia de fé e confiante na misericórdia do bom Deus”.

É também nessa atitude que o Reitor identifica uma dimensão essencial da missão da Igreja: a disponibilidade para servir.

“Ela chama-nos não com chamadas de atenção, mas chamadas de serviço”, afirmou, sublinhando que Maria se torna presente junto de pessoas simples e humildes e aponta para uma Igreja capaz de se colocar “ao serviço uns dos outros para a salvação de todos”.

Por outro lado, a assunção, celebrada neste dia, ganha desta forma uma dimensão que ultrapassa a própria figura de Maria. A Igreja vê na sua entrada na glória de Deus um sinal antecipado da promessa feita a toda a humanidade: a ressurreição e a vida eterna.

Maria, afirmou o Reitor, “manifesta o nosso futuro”. A sua assunção em corpo e alma ao Céu é entendida como antecipação daquele que é o destino último anunciado pela fé cristã, quando Deus reunir a humanidade na plenitude da vida.

A solenidade de 15 de agosto está, por isso, profundamente ligada à esperança cristã. No Credo, os fiéis professam a fé na “ressurreição da carne” e na “vida eterna”, e Maria surge como a realização antecipada dessa promessa. O prefácio da solenidade, de resto,  apresenta-a precisamente como “sinal de consolação e esperança”.

A celebração recorda também a longa tradição desta festa, celebrada no Oriente como a “Dormição” de Maria e conhecida no Ocidente como a Assunção. Em Roma, a solenidade era já celebrada desde o século VII, tendo o dogma  sido proclamado pelo Papa Pio XII, em 1950.

Na homilia, o Reitor recorreu ainda ao encontro entre Maria e Isabel para sublinhar a atitude de fé e de reconhecimento das maravilhas de Deus. Isabel proclama Maria “bendita” porque “acreditou o que lhe foi dito pelo Senhor”, enquanto Maria, no Magnificat, reconhece que é Deus quem realiza grandes coisas e permanece fiel às suas promessas, sublinhou. Essa humildade, destacou, continua a ser um desafio para os cristãos. Maria não se coloca no centro: reconhece a ação de Deus e assume-se como parte de um povo a quem Deus é fiel.

“Tenhamos um coração cheio de alegria… porque Deus nunca esquece o seu povo”, concluiu o Reitor. Hoje haverá ainda uma missa às 12h00 no Santuário.

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