Memória de Madre Teresa da Anunciada assinalada este sábado, 16 de maio

Religiosa clarissa morreu há 288 anos

Foto: Santuário do Senhor Santo Cristo/CR

Este sábado, dia 16 de maio, assinala-se mais um aniversário da morte de Madre Teresa da Anunciada, figura maior da espiritualidade açoriana e principal impulsionadora do culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, uma das mais profundas manifestações religiosas dos Açores, que no fim de semana passado foi celebrado em Ponta delgada e este fim de semana será celebrado na ilha de Santa Maria e também em Montereal no Canadá.

Nascida a 25 de novembro de 1658, na freguesia da Ribeira Seca, concelho da Ribeira Grande, Teresa foi batizada nesse mesmo dia apenas como “Teresa”. Era a mais nova de treze filhos de Jerónimo Ledo Paiva e de Dona Maria do Rego Quintanilha, provenientes de famílias honradas, embora de modestos recursos económicos.

Desde muito cedo revelou uma intensa vida espiritual. Cresceu num ambiente profundamente religioso, acompanhando a mãe nas orações, na devoção mariana, nas peregrinações e na participação diária na missa. Conhecida também como “Teresa de Jesus”, destacou-se ainda jovem pela prática da caridade, pela humildade e pela entrega total à fé.

Apesar das insistências familiares para casar, Teresa recusou sempre seguir esse caminho, mantendo firme o desejo de abraçar a vida religiosa. Apenas após a morte da mãe, em 1681, pôde aproximar-se do Mosteiro de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada, onde viria a ingressar como pupila e, posteriormente, como noviça.

A entrada solene no Convento da Esperança ocorreu a 20 de junho de 1682, numa cerimónia marcada por grande participação popular. Um ano depois, em 23 de junho de 1683, professou os votos solenes de pobreza, obediência e castidade, adotando o nome de “Teresa da Anunciada”.

Foi no convento que Madre Teresa encontrou a missão que marcaria toda a sua vida: a promoção da devoção ao Senhor Santo Cristo dos Milagres. Sensibilizada pela expressividade da imagem do “Ecce Homo”, empenhou-se em dignificar o culto, promovendo a construção de capelas, o enriquecimento dos símbolos religiosos e a realização de procissões que rapidamente conquistaram a devoção popular em São Miguel e em todo o arquipélago.

Ao longo de cinquenta e cinco anos de vida consagrada, Madre Teresa da Anunciada tornou-se referência de fé, humildade, perseverança e caridade. Os testemunhos da época relatam uma mulher de profunda intimidade espiritual com Deus, a quem chamava carinhosamente “o meu Fidalgo” e “o meu Tudo”.

A Madre Teresa da Anunciada faleceu a 16 de maio de 1738, aos 79 anos. Ainda em vida era já considerada intercessora em curas e acontecimentos tidos como milagrosos. Poucos anos após a sua morte iniciaram-se processos tendentes à sua canonização, que continuam por concluir.

Atualmente, encontra-se nomeada uma comissão histórica destinada a aferir se existem traços e elementos consistentes na vida da religiosa que sustentem a abertura formal da causa de beatificação.

Ontem, no encerramento das Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o reitor do Santuário voltou a pedir aos fiéis oração pela promoção desta causa, manifestando novamente a sua determinação em avançar com o processo e levá-lo até Roma.

Na ocasião, deixou também um apelo considerado simbólico e cheio de esperança para os devotos: “Seria bom que, no ano em que a Diocese assinala os seus 500 anos de existência, a Madre Teresa da Anunciada pudesse ser beatificada pelo Papa”.

Passados quase três séculos, a memória de Madre Teresa da Anunciada permanece profundamente viva na fé do povo açoriano, especialmente ligada às grandiosas Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, que todos os anos levam milhares de fiéis a Ponta Delgada.

(fonte: https://senhorsantocristo.com/madre-teresa-danunciada/)

Scroll to Top