Sétimo dia da novena destaca vocação eucarística de Madre Teresa da Anunciada

Padre Hélio Soares sublinha a importância de Cristo na vida desta religiosa, expressa através da veneração de tantas imagens no convento

Foto: Padre Hélio Soares/Santuário do Senhor Santo Cristo

O sétimo dia da Novena dos Espinhos, centrada na autobiografia de Madre Teresa da Anunciada, foi marcado por uma reflexão sobre a sua vocação eucarística e o seu incansável empenho na promoção de momentos de oração centrados em Cristo.

A centralidade da imagem de Cristo determina fortemente a espiritualidade promovida por Madre Teresa, para quem a figura do Senhor ocupa sempre o lugar principal, seja na representação do Ecce Homo, do Senhor à Coluna ou noutras imagens veneradas no Convento da Esperança. As imagens, explicou o pregador, padre Hélio Soares, são uma ponte entre o visível e o mistério que evocam. Embora nenhuma representação material possa expressar plenamente o que simboliza, ela conduz o fiel para além de si mesmo, despertando o coração para um encontro pessoal com Cristo.

“Ao ajoelhar-se diante de uma imagem, o crente não se detém na matéria, mas eleva-se Àquele que ela representa, encontrando um auxílio precioso para a súplica, o agradecimento e a contemplação” disse o sacerdote que pregou esta novena pelo segundo dia consecutivo.

Foram igualmente recordadas as procissões promovidas por Madre Teresa da Anunciada, que continuam a marcar profundamente a vivência religiosa açoriana. Inseridas no contexto cultural e espiritual dos séculos XVII e XVIII, estas “manifestações públicas de fé transformavam ruas e praças em espaços sagrados, tornando visível a caminhada da Igreja no meio da sociedade”.

“A procissão é sinal do povo de Deus em marcha, unido na mesma fé e chamado à comunhão. Nela, todos participam como comunidade orante, testemunhando publicamente a esperança cristã” disse ainda o pregador.

Na evocação histórica, o padre Hélio Soares destacou três momentos determinantes para a consolidação da devoção ao Senhor Santo Cristo. O primeiro foi o chamado Milagre do Pão, ocorrido durante a construção da segunda capela. Diante da falta de alimento para os trabalhadores, Madre Teresa recorreu confiadamente à oração e, segundo a tradição, encontrou providencialmente sustento em abundância. Este episódio, vivido e transmitido no contexto da fé, contribuiu decisivamente para a divulgação da devoção, até então circunscrita ao convento. O segundo momento foi a primeira procissão pública da imagem, realizada por volta do ano 1700, após a conclusão da capela. A partir daí, o culto deixou de ser apenas interno à comunidade religiosa e passou a ser assumido por toda a cidade. E, o terceiro momento ocorreu em 1713, quando, perante uma crise sísmica prolongada, a imagem saiu em procissão penitencial, sendo associada ao fim dos abalos. Este acontecimento consolidou a confiança do povo e reforçou o título de “dos Milagres”, projetando a devoção para além da cidade e tornando-a património espiritual de toda a ilha.

Ao concluir, o pregador salientou que a grande preocupação de Madre Teresa da Anunciada nunca foi apenas promover celebrações exteriores, mas criar oportunidades concretas de encontro com Cristo. A sua vocação eucarística, profundamente enraizada na contemplação do mistério da Encarnação, levou-a a colocar a oração no centro da vida comunitária e da expressão pública da fé. Graças ao seu testemunho, gerações de fiéis continuam a reunir-se para agradecer, suplicar e celebrar em conjunto.

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