Reitor afirma que desperdício “deve magoar a consciência dos cristãos”

O Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres celebra hoje 67 anos da sua elevação a santuário, numa eucaristia marcada por um apelo à valorização do legado espiritual, ao combate ao desperdício alimentar e ao compromisso solidário entre todos.
Na celebração desta manhã, o reitor, cónego Manuel Carlos Alves, sublinhou que é dever da comunidade honrar todos aqueles que, ao longo dos anos, contribuíram para a construção espiritual e pastoral do santuário, destacando a importância de manter este espaço como um verdadeiro centro de espiritualidade e fé do povo açoriano.
A homilia destacou também a mensagem central do Evangelho, apresentando Jesus como aquele que sacia a fome e a sede da humanidade e como o único capaz de oferecer a vida eterna. Perante as dificuldades da vida quotidiana, foi reforçada a ideia de que a fé em Cristo permite superar desafios e encontrar sentido mesmo nos momentos mais exigentes.
Assinalando o Dia Mundial da Terra, o reitor trouxe ainda à reflexão a questão do desperdício alimentar, referindo que milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas todos os anos, sobretudo ao nível das famílias. Este cenário foi apontado como um sinal preocupante que deve interpelar consciências.
Inspirando-se nas palavras de Jesus — de que nada do que o Pai confia se deve perder — foi feito um paralelismo com a necessidade de cuidar da Terra e dos seus recursos. O desperdício foi descrito como uma realidade que deve “magoar profundamente”, por representar a perda de dons que poderiam servir muitos outros.
A celebração terminou com um apelo claro à responsabilidade individual e coletiva, incentivando os fiéis a assumirem um compromisso mais consciente com a solidariedade, a partilha e o cuidado pela criação, reforçando o papel do santuário como referência espiritual e moral para a sociedade.
A Igreja do Convento de Nossa Senhora da Esperança, em Ponta Delgada, São Miguel, foi elevada a Santuário Diocesano do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Abril de 1959, por decreto de D. Manuel Afonso de Carvalho. Esta elevação reconheceu o local como um grande centro de peregrinação açoriana, sendo gerido pelas Irmãs Clarissas.
