21 romeiros integram o rancho composto por luso descendentes

O terceiro domingo da Quaresma ficou marcado no Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres pela entrada do único rancho de romeiros, dos 53 que saem esta Quaresma em São Miguel, que tem este templo como Igreja-Mãe, lugar de onde partem e para onde regressam depois de cumprida a romaria de uma semana. Este ano, 21 homens integram o rancho de Toronto, mantendo viva uma tradição de fé, sacrifício e comunhão que atravessa gerações.
A chegada dos romeiros foi vivida com emoção pela comunidade, que os acolheu num momento carregado de simbolismo. A romaria representa não apenas um caminho físico, mas também um percurso espiritual feito de oração, penitência e partilha.
Na celebração, o Reitor do Santuário centrou a sua homilia no Evangelho da Samaritana, proclamado em todas as igrejas este domingo, recordando que neste dia também se celebra o Dia da Mulher. Destacou a admiração pelo gesto de Jesus ao pedir água a uma mulher samaritana, num contexto em que judeus e samaritanos não se relacionavam e em que estes seguiam uma religião considerada sincrética.
Segundo o sacerdote, é precisamente a esta mulher que Jesus revela a sua sede, uma sede que pode ser entendida tanto no plano fisiológico como teológico. Ao longo do diálogo narrado no Evangelho, a mulher vai fazendo um caminho interior: primeiro vê Jesus apenas como um homem judeu; depois começa a reconhecê-lo como alguém maior, chegando mesmo a compará-lo a Jacob, figura central da história espiritual do povo. À medida que Jesus fala da água viva, capaz de saciar para a eternidade, a mulher vai sendo transformada. No final do relato, são os próprios samaritanos que fazem uma das mais belas confissões de fé: reconhecem que Jesus veio para todos.
O reitor convidou assim os fiéis a olhar para a realidade atual, marcada por tantas “nuvens negras” e por muito mal que se vai espalhando na humanidade. Lembrou que o pecado tem efeitos e consequências, mas sublinhou que Jesus propõe sempre um caminho novo.
Entre os desafios deixados à assembleia destacou-se o apelo a seguir o coração, a respeitar-se mutuamente e a viver segundo uma única lei: amar o irmão sem limites nem condições. E, recordou também o itinerário quaresmal feito de oração, escuta da Palavra e esmola, caminhos que ajudam à conversão interior.
“A cruz revela-nos o amor de Deus”, afirmou.

