Último dia da Novena dos Espinhos no Santuário do Senhor Santo Cristo desafia fiéis a vencer os “espinhos que ainda hoje magoam o Senhor”

Padre Jason Gouveia elencou três espinhos: “a indiferença”, a “cegueira espiritual” e o “abismo do coração humano marcado pelo egoísmo”

Foto: Nono dia da Novena dos Espinhos/CR

No último dia da Novena dos Espinhos o padre Jason Gouveia afirmou hoje que a coroa de espinhos é “um apelo permanente à conversão” porque nos lembra que existem espinhos como a indiferença, a cegueira espiritual e o abismo que o pecado estimula , que ainda hoje continuam a atingir o Senhor.

“Há espinhos da coroa que ainda hoje os homens e o mundo continuam a cravar no sofrimento de Cristo”, afirmou a partir do evangelho e do exemplo de vida de Madre Teresa da Anunciada, referindo-se às atitudes e pecados que permanecem presentes na sociedade atual.

Na homilia, o ouvidor adjunto do Nordeste destacou três “espinhos de hoje”: a indiferença, a cegueira espiritual e o abismo que o próprio coração humano cria.

Inspirando-se na parábola do rico e do pobre Lázaro, proclamada esta quinta-feira, explicou que o rico não é condenado por possuir bens, mas por ignorar o sofrimento do outro.

Segundo sublinhou, “quantas vezes passamos diante da dor de alguém e seguimos em frente, indiferentes”. Para o sacerdote, cada vez que o coração se fecha ao sofrimento do próximo, “é como se acrescentássemos mais um espinho à coroa do Senhor”.

O segundo espinho é o da cegueira espiritual, que impede de reconhecer Cristo nos mais frágeis.

“O problema não é não ver, mas não querer ver”, afirmou, referindo-se à incapacidade de perceber os “Lázaros que estão à nossa porta” – os pobres, os doentes e os esquecidos da sociedade.

O terceiro espinho apresentado foi o abismo que o próprio coração humano cria quando se afasta de Deus. O padre explicou que esse afastamento nasce muitas vezes da indiferença, do egoísmo, do orgulho e da falta de relação com Deus.

“Quando o coração se fecha à graça e se afasta de Deus e dos irmãos, cria-se um abismo entre o nosso coração e o coração de Jesus”, alertou.

Durante a homilia, evocou também as dificuldades espirituais vividas por Madre Teresa, que falava frequentemente de momentos de trevas e de desamparo interior, mas que nunca deixou de procurar um caminho de entrega e fidelidade.

O sacerdote concluiu a reflexão sublinhando que a coroa de espinhos é um forte apelo à conversão. Cristo, afirmou, sofreu pelos pecados da humanidade, deixando um convite claro à mudança de vida.

“Temos a Palavra, temos os profetas, temos luz suficiente para agir. O apelo é claro: antes que seja tarde demais procuremos ouvir e seguir esse apelo”, advertiu.

No final, deixou um desafio aos fiéis presentes: em vez de acrescentarem novos espinhos à coroa de Cristo, que procurem consolar o seu coração através da fé, da misericórdia e da atenção ao sofrimento dos irmãos.

A Novena dos Espinhos integra as devoções quaresmais ligadas ao Senhor Santo Cristo e continua a reunir, ano após ano, muitos devotos no santuário micaelense, mantendo viva uma tradição profundamente enraizada na espiritualidade açoriana.

Amanhã sexta-feira será celebrada a Festa dos Espinhos, às 18h00, com a celebração a ser presidida pelo reitor do Santuário, cónego Manuel Carlos Alves.

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