Acervo artístico tem cerca de 40 capas

A partir desta sexta-feira e até à Novena dos Espinhos, que decorre entre 25 de fevereiro e 6 de março, a veneranda imagem do Senhor Santo Cristo encontra-se coberta com uma das suas capas mais emblemáticas, símbolo da riqueza artística e espiritual que integra o vasto espólio deste culto.
A capa atualmente exposta, com o nº 24, é exemplo notável dessa herança cultural e espiritual. Executada com requinte artesanal e marcada pela elegância dos pormenores bordados, representa não apenas um objeto artístico, mas também um testemunho vivo das promessas e devoções associadas ao Senhor Santo Cristo. Foi oferecida por Ilda Correia natural da Terceira, emigrante nos Estados Unidos da América e executada na Casa de Trabalho de Vila Franca do Campo, tendo sido estreada no ano de 1992. Foi bordada pelas educandas daquela Casa de Trabalho, sob a direção da Irmã Maria Cruz Perez, segundo os registos do Arquivo do Santuário.
A colocação de diferentes capas ao longo do ano tem constituído uma estratégia assumida pelo Santuário para dar maior visibilidade e reconhecimento a este valioso acervo. Esta mudança de capas com maior regularidade resulta de um esforço consciente de preservação, estudo e valorização das obras que, ao longo dos séculos, foram oferecidas como expressão de gratidão e fé por devotos de várias gerações e partes do mundo.
Esta valorização do património têxtil, inserida numa dinâmica mais ampla de salvaguarda do espólio, reforça a importância de reconhecer as capas não só como peças de arte sacra, mas também como elementos identitários da fé açoriana. Cada capa encerra uma história — de fé, de promessa, e de comunidade — que deve continuar a ser preservada e transmitida às gerações futuras.
Assim, mais do que uma simples mudança visual, a exibição da nova capa reafirma o compromisso do Santuário em unir tradição e valorização do património, mantendo viva a memória e a beleza do culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres.



