Jóias

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Resplendor na Imagem

As jóias do Senhor Santo Cristo, constituem um tesouro de valor incalculável.

Todos os anos, este espólio é enriquecido com inúmeras ofertas dos devotos, o que torna difícil proceder à sua avaliação.

Constituído pelo Resplendor ou Diadema, o seu ex-líbris, da autoria de Mateus Vicente de Oliveira e Ambrósio Gottlieb Pollet, pela Coroa de Espinhos, pelo Relicário, pelo Ceptro, e pela Corda, estas jóias representam os instrumentos de morte, com que Jesus foi apresentado à multidão no Pretório de Pilatos, sujeito à suprema humilhação, injuriado e escarnecido.

Apenas usadas nas Festas em honra do Senhor e em épocas festivas, estas jóias são alvo de uma enorme curiosidade, pelo seu elevado valor material e artístico, não estando expostas ao público.

O Resplendor é a peça mais emblemática deste conjunto. Está replecta de simbolismo religioso. Desde o Cordeiro sobre o Livro dos Sete Selos, a Cruz, o Triângulo simbolizando a Santíssima Trindade, a Píxide com as hóstias, o Pelicano alimentando os filhos, as Galhetas que contém a água e o vinho, o Galo simbolizando a negação de Pedro, o Guião com as letras SPQR, a Coluna da Flagelação, a Bolsa de Judas, os Dados que sortearam a túnica de Cristo, a Coroa de Espinhos, com que coroaram Jesus no Pretório de Pilatos, os Cravos com que foi pregado na Cruz, a Esponja com vinagre com que Jesus matou a sede, a Lança que trespassou o lado do Senhor, a Mão com que foi esbofeteado, a Moca, a Túnica do Senhor, a Cana que Lhe puseram na mão a fingir de ceptro, a Lanterna com que foram procurar Jesus no Horto das Oliveiras, o Azorrague e o Feixe de Varas com que foi flagelado. As Escadas, o Alicate, o Martelo e a Espada, são os instrumentos que serviram na crucificação, o Jarro, a Bacia e a Toalha, com que o Salvador lavou os pés aos Discípulos.

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O Relicário está permanentemente no peito da Imagem

O Resplendor foi considerado a peça mais valiosa do seu género na Península Ibéria, num congresso realizado em Valladolid (Espanha).

Autorizado pelo Bispo dos Açores, D. António de Sousa Braga, o Resplendor do Senhor Santo Cristo foi cedido temporariamente, em 2014, ao Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, a fim de integrar a exposição “Esplendor e Glória - Cinco jóias setecentistas de excepção”, que decorreu de Junho a Outubro, tendo regressado ao Santuário no dia 31 de Outubro, do mesmo ano.

A Imagem do Senhor Santo Cristo tem no Seu peito uma abertura que noutros tempos serviu de Sacrário.

Inicialmente ocultada por uma estampa, hoje está ornamentada com o Relicário, sendo a única peça do Tesouro que está permanentemente na Imagem. O centro desta jóia tem uma pequena cruz latina, que contém uma partícula do Santo Lenho.

A segunda jóia mais esplendorosa a seguir ao Resplendor, é o Ceptro ou Cana, que foi posta na mão direita de Jesus, quando foi apresentado à multidão por Pôncio Pilatos.

No verso da última folha do Ceptro, tem uma inscrição que diz o seguinte:

Este Ceptro mandou fazer a Ilustríssima e Excelentíssima Senhora Dona Margarida Francisca Tomásia de Lorena – Condessa da Ribeira Grande

Grande pela cordial devoção

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Cálice executado com 400 alianças fruto das ofertas dos devotos do Senhor Santo Cristo

Que tem ao Rei da Glória nesta Sua Sacratíssima Imagem do Ecce Homo

A 4ª Condessa da Ribeira Grande, em memória do seu marido, mandou colocar no laço de ouro que adorna o Ceptro, a Cruz de Cristo da condecoração que pertenceu ao seu esposo, D. José Rodrigo da Câmara, 4º Conde da Ribeira Grande.

Outra das jóias, é a Corda, que representa aquela com que amarraram as mãos de Jesus no Horto e O levaram à presença de Pilatos.

Esta peça tem de comprimento cerca de 1.34 metros, formada por quatro pedaços de corda entrelaçados, mas em toda a sua extensão mede cerca de 5,30 metros. É toda revestida de pérolas e recamada com pedras preciosas e jóias oferecidas pelos devotos do Senhor.

Finalmente a Coroa de Espinhos, com que Jesus foi coroado Rei dos Judeus, foi mandada fazer em Lisboa nos meados do século XVIII.

É uma peça de grande beleza, onde realça as diversas cores das suas pedras preciosas sobre o tom do ouro, dando-lhe um grande valor artístico.