Zeladoras

ZELADORAS DA IMAGEM E CAPELA DO SENHOR SANTO CRISTO

Caixa com as raízes da roseira de Madre Teresa, no jardim do Senhor Santo Cristo
Caixa com as raízes da roseira plantada por Madre Teresa

O cuidado em preservar, embelezar e zelar pela Imagem e Capela do Senhor Santo Cristo, é uma tarefa atribuída às religiosas, que a exercem com a maior dedicação e devoção.

Ao longo dos séculos, foram várias as Religiosas do Convento da Esperança, que tiveram a seu cargo esta dignificante tarefa, sendo a 1ª zeladora, Madre Teresa d’Anunciada.

Para além de terem a seu cargo a gestão das ofertas feitas pelos devotos, ao Senhor, têm também uma constante preocupação e cuidado com a Imagem do Senhor Santo Cristo e com o embelezamento da Sua Capela.

Cuidam da Capela, onde predominam bonitos arranjos florais, que devem ser do mais simples possível, para que não se torne motivo de ostentação e de luxo, no entanto é impossível não colocar perante os Seus olhos esta maravilha da Natureza! - as lindíssimas flores que ornamentam o Seu altar!

A ROSEIRA PLANTADA PELA VENERÁVEL MADRE TERESA D´ANUNCIADA

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Desde a mais singela flor à mais sofisticada, são inúmeras as flores que diariamente são recebidas no Convento da Esperança e que se destinam ao altar do Senhor.

São rosas e cravos de notável beleza, são orquídeas de pétalas extravagantes, são as coloridas gerbéras, as altivas coroas imperiais e tantas outras maravilhas.

A devoção com que são oferecidas, a preocupação em cultivá-las, porque se destinam ao Senhor, são expressões de fé e homenagem a Deus, em retribuição e reconhecimento pelas graças recebidas. Nota-se neste pequeno/grande gesto como que uma obrigação, uma satisfação em presentear o Senhor!

Nesta multidão de flores de várias categorias, figura uma pequena e modesta rosa, de aspecto humilde, de cor esmaecida e de pétalas de ténue fragrância – são as rosas do Senhor Santo Cristo!

Conta a tradição que um dia, Madre Teresa, num momento de grande aflição, plantou, num recanto do calmo jardim do Senhor Santo Cristo, uma pequena haste de roseira, no intuito, de, com o produto da venda das rosas, ter os meios necessários para fazer face à avultada despesa com a construção de uma nova Capela do Senhor.

Este intuito, tão apreciado pelo Senhor, fez surgir nesta humilde planta, um milagre, pois, “não sendo estação acomodada para o intento, por ser estio, não obstante, abrolhou a vara e se explicou em folhas e botões em tão breve tempo, que, tendo sido plantada em um domingo, na quarta-feira seguinte lhe achou uma rosa totalmente aberta e perfeita”.

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E esta roseira, que durou muitos anos, um dia, talvez exausta de tanto se desdobrar em rosas, morreu!

Hoje, são muitas as roseiras que nos deixou e que ocupam o seu lugar, como se implorasse à sua descendência, que continuem a acompanhar o Senhor, mantendo-se eternamente floridas e perfumando o ambiente sagrado da Sua Capela e junto das relíquias da Venerável Madre Teresa.

A raiz desta roseira, que hoje constitui uma relíquia, está guardada numa pequena caixa de vidro, junto àquelas a quem deu a vida.

CRONOLOGIA DAS ZELADORAS DA IMAGEM E CAPELA DO SENHOR SANTO CRISTO

Irmã Margarida cuidando do altar do Senhor Santo Cristo
Irmã Margarida cuidando do altar do Senhor Santo Cristo

1ª ZELADORA: Venerável Madre Teresa d’Anunciada
2ª ZELADORA: Madre Teresa de Jesus Maria (sobrinha de Madre Teresa d’Anunciada)
3ª ZELADORA: Madre Quitéria Francisca de Santa Rosa (sobrinha de Madre Teresa d’Anunciada)
4ª ZELADORA: Madre Francisca Cândida de Jesus
5ª ZELADORA: Madre Ana Inocência Querubina
6ª ZELADORA: Madre Violante Querubina de Jesus
7ª ZELADORA: Madre Ana Teodora de Jesus Maria
8º ZELADORA: Madre Margarida Laura do Patrocínio
9ª ZELADORA: Madre Antónia Emília do Coração de Jesus
10ª ZELADORA: Madre Maria Vicência da Conceição

Depois da morte da Madre Maria Vicência da Conceição e durante alguns anos, o cargo de zeladora passou a ser desempenhado por senhoras seculares (senhoras não sujeitas a nenhuma ordem religiosa), que viviam no Convento.

11ª ZELADORA: Maria Beatriz Zuazola Gorria (Religiosa de Maria Imaculada)
12ª ZELADORA: Irmã Margarida Pimentel (Religiosa de Maria Imaculada)
13ª ZELADORA: Irmã Maria Margarida Mota Borges (Religiosa de Maria Imaculada)

 

Depois da morte da última religiosa e zeladora do Convento da Esperança, foram estas senhoras e fâmulas(1), que ali viviam recolhidas, a manterem o culto ao Senhor Santo Cristo e demais cargos do Convento, até à entrada da Ordem da Visitação, em 1928. As datas dizem respeito à sua morte

22/Julho/1895 - Luciana do Menino Jesus – 66 anos – Fâmula

08/Abril/1899 - Maria do Carmo Sousa Raposo – 62 anos – Educanda

Foi música distinta e organista

03/Junho/1900 - Sra. Maria Augusta de Medeiros Carvalho – 73 anos

11/Abril/1901 - D. Jacinta Cândida do Rego Meireles – 59 anos

07/Junho/1903 - D. Carolina Henriqueta de Medeiros – 73 anos

Fazia grandes esmolas e coadjuvou as duas associações da Propagação da Fé e Obra da Santa Infância e para as Missões estrangeiras enviou avultadíssimas somas

23/Agosto/1904 - D. Catarina Júlia do Carmo – 80 anos

13/Novembro/1904 - Teresa do Santo Cristo – 72 anos – Fâmula

Era do Convento de Santo André. Recolheu-se na Esperança, depois do falecimento da última religiosa

13/abril/1910 – Maria de Santa Filomena – 82 anos – Fâmula

Era do Convento de Santo André

17/Setembro/1910 – Marcela dos Anjos – 80 anos – Fâmula

25/Abril/1913 – D. Maria Augusta Pereira Machado – 88 anos

Foi a primeira regente, depois do falecimento da última religiosa. Governou 19 anos, era muito hábil, enérgica e música distinta. Sempre cantava nas Festas até morrer, distinguindo-se a sua voz, sendo de tão avançada idade!

15/Novembro/1913 – D. Maria Tereza da Silveira – 62 anos

25/Fevereiro/1914 – D. Maria Carolina Pereira Machado – 77 anos

Foi regente 10 meses, sendo o seu governo de paz, por isso foi sentidíssima a sua morte por todo o pessoal do Convento

22/Dezembro/1914 – Bernardina do Espírito Santo – 70 anos – Fâmula

12/Fevereiro/1914 – Emília do Patrocínio – 82 anos – Fâmula

Era do Convento de Santo André

28/Junho/1918 – Delfina da Glória – 74 anos – Fâmula

11/Março/1921 – D. Emília Carlota de Oliveira Quental – 87 anos

01/Agosto/1923 – D. Ignez do Carmo Araújo – 35 anos

A sua morte foi sentidíssima, não só do pessoal do Mosteiro, como de todas as pessoas que a conheceram. Era hábil cantora e organista, prestando os seus bons serviços ao Culto Dinivo e muito exorta no que estava a seu cargo, foi muito sensível a sua falta

12/Novembro/1923 – Antónia da Estrela – 82 anos - Fâmula

Extraído do Livro Quinto de Óbitos do Convento da Esperança

(1) Funcionária subalterna de comunidade religiosa ou tribunal eclesiástico; serviçal