SANTUÁRIO DIOCESANO DO SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES

CONVENTO DE NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA

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A edificação deste Mosteiro, cuja Igreja tem como orago Nossa Senhora da Esperança, está situado na cidade de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel nos Açores e foi o primeiro convento de religiosas clarissas a ser fundado em Ponta Delgada, de obediência à Ordem de S. Francisco.

O 5º Capitão Donatário da Ilha de São Miguel, Rui Gonçalves da Câmara, iniciou a sua fundação, mas, falecendo em 20 de Outubro de 1535, esteve por algum tempo parada a obra, até que a sua esposa, D. Filipa Coutinho, a “Capitoa” e a expensas suas, a conclui, com a ajuda de Fernão do Quental e sua esposa Margarida de Matos, que doaram os terrenos para a sua construção. A data da sua edificação é imprecisa, sabendo-se que em 1540 o convento ainda não estava acabado.

A primitiva Igreja da Esperança não é a mesma que chegou aos nossos dias. O tempo, os tremores de terra e até mesmo o embelezamento que era dado a estes templos, transformaram a igreja inicial. A decoração interior realizou-se em 1606 e 1680 e mais tarde, em 1854, sofreu obras de melhoramento exterior e interior.

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Na Igreja deste Convento existem dois Coros – Coro Alto e Coro Baixo, os quais ficam na direcção do altar-mor da Igreja, permitindo às religiosas assistirem à Eucaristia, actos litúrgicos e demais festividades.

A Capela-Mor é revestida de magnífica talha dourada e de azulejos azuis e brancos. A primitiva talha da Capela-Mor foi realizada em 1668. O trono é composto por vários planos podendo no alto ser exposto o Santíssimo Sacramento. No retábulo do altar-mor existem dois nichos, com a imagem de São Francisco de Assis e Santa Clara de Assis, respectivamente. No centro está colocada a lindíssima imagem que deu o nome a esta Igreja - Nossa Senhora da Esperança, com o Menino ao colo. No altar encontra-se o Sacrário, com uma bonita porta em prata cinzelada, oferta de Madre Francisca do Livramento ao Convento.

As paredes laterais são revestidas por oito quadros em azulejos azuis e brancos com cenas da vida de Jesus, da autoria António Augusto Gonçalves. Do tecto pendem dois bonitos lampadários em prata, formosamente trabalhados. Dois altares laterais, dão início ao corpo da Igreja, o do Senhor atado à coluna, com um nicho com a imagem de Santa Gertrudes, e defronte, Santana ensinando a Virgem a ler, tendo igualmente dois nichos com as imagens de S. Miguel e S. José, com dois lampadários de prata.

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Três portas dão acesso ao adro, sendo a do meio a de maiores dimensões, com guarda-vento, tendo nos lados pias de água benta em mármore, em forma de conchas. Um bonito púlpito encontra-se na face oposta, de linhas clássicas, com dossel e porta almofadada. As paredes estão revestidas de azulejos, formando painéis com passagens da vida de Madre Teresa d´Anunciada, da autoria de A.T. Conceição Silva. O fundo da Igreja é dominado pelas grades dos coros Alto e Baixo. A grade do coro Baixo é fechada por uma portada interior, tendo no centro uma abertura emoldurada de madeira, guarnecida por uma peça de prata lavrada. Era através desta abertura que as Religiosas recebiam a Sagrada Comunhão na Eucaristia. Por decreto de 22 de Abril de 1959, a Igreja de Nossa Senhora da Esperança foi elevada a Santuário Diocesano, pelo Bispo D. Manuel Afonso de Carvalho.

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Este Convento mantém vida religiosa até aos nossos dias, sendo residência actual das Religiosas de Maria Imaculada, desde 1962. Está classificado como imóvel de interesse público pelo Dec-Lei nº. 39 175, DG 77, de 17 de Abril de 1953.

EXTRACTO DO DECRETO EPISCOPAL QUE ELEVOU A IGREJA DA ESPERANÇA A SANTUÁRIO DIOCESANO

Dom Manuel Afonso de Carvalho, por mercê de Deus e da Santa Sé Apos­tólica, Bispo de Angra:

(...) Para que este culto de Jesus Cristo Rei não esmoreça e a Paixão do Senhor absorva plenamente as almas, sem que surja qualquer vislumbre de prática ou ato menos conforme com o espírito e orientação da Santa Igreja, havemos por bem:

1) Declarar a Igreja do Santo Cristo dos Milagres Santuário Diocesano e confiar a sua administração a um sacerdote especialmente designado por Nós;

2) Recomendar a todos os reverendos Párocos e Sacerdotes que incutem nos fiéis o verdadeiro espírito de piedade e fervor para com o Santo Cristo, prevenindo-os dos perigos por ocasião da festa anual, a fim de que todas as suas ações sejam para a maior glória do Senhor;

3) Exortar todos os Açorianos, de qualquer categoria que sejam, a que, nas horas de tribulação como nas de bonança, invoquem, com verdadeiro es­pírito de fé, o Senhor Santo Cristo e Lhe peçam que lhes conserve a pureza do coração, a resignação nos infortúnios e, dum modo especial, a graça para levarem uma vida conforme com a vontade do mesmo Senhor, a fim de um dia O poderem aclamar no seu Reino de glória.

Dado em Angra e Paço Episcopal, aos 22 de abril de 1959.

 

Decreto-Lei nº 39175 de 1953 »»Ver««