Procissão

A GRANDE PROCISSÃO EM HONRA DO SENHOR SANTO CRISTO

É na manhã do Sábado do Senhor, que se realiza a 1ª procissão.

Nesta procissão, de cariz reservado, um singelo andor transporta a Imagem do Santo Cristo, coberta com a capa oferecida por D. João V. A Imagem sai do Coro Baixo, transportada pelas Irmãs, que, acompanhadas pelos membros da Mesa da Irmandade, pelo Bispo dos Açores, pelo Reitor do Santuário e pela individualidade convidada para presidir às Festas, percorrem o Claustro pelo lado da Portaria, até entrar na Roda, onde será preparada para a “mudança”, do Convento para o Santuário. Durante este pequeno percurso, é entoado o cântico, “Bendito o que Vem”.

Bendito, bendito o que vem Em nome do Senhor!

DSC 0066 201x300

Retirada a Imagem, é colocada no andor grande. Troca-se a capa pela que foi escolhida para sair na procissão nesse ano e colocam-se as jóias pertencentes ao tesouro.

Em seguida, é colocada a estrutura do andor na peanha, onde já se encontra a Imagem, procedendo-se ao aparafusamento, para que tudo esteja em segurança, pois durante a procissão, os balanços são muitos. Dão-se os últimos retoques!

Há mesma hora em que o Senhor está a ser preparado, tem início às 12H00, um desfile diante do Santuário, composto por motoristas de táxis, viaturas de combate a incêndios dos Bombeiros Voluntários, ambulâncias, motociclistas, etc., prestando assim de forma singela, uma muito ruidosa e participativa homenagem ao Senhor.

A chamada “mudança da Imagem”, no Sábado às 16h30, consiste na saída da Imagem do Convento, pela Porta Regral. Cerca das 16H20, o Provedor da Irmandade bate à Porta Regral, para que lhe seja entregue a Imagem do Senhor Santo Cristo. Esta passagem, que é simbolizada pela entrega do báculo pela Irmã Superiora, significa que a responsabilidade da guarda da Imagem, enquanto estiver no exterior, ficará a cargo da Irmandade. A Imagem, no seu majestoso andor com cerca de 300 quilos, depois de dar a volta ao Campo de São Francisco, entra no Santuário, ficando até às 00H45, hora em que é levada numa pequena procissão de velas, até à Igreja de São José, onde permanecerá toda a noite para a Solene Vigília. É tradição nesta Ilha o povo dizer, “vou passar a noite com o Senhor”, numa alegoria ao facto de muitas pessoas passarem toda a noite na Igreja em oração. Ao longo da noite realizam-se Vigílias, algumas presididas pelo Reitor do Santuário, encerrando com uma missa à 06h00 e alvorada com salva de morteiros, à mesma hora.

DSC 0058 201x300

Até há alguns anos atrás, a Imagem permanecia no Santuário, mas este templo tornou-se demasiado pequeno para albergar cada vez mais devotos. Foi então decidido mudá-la para a Igreja de São José, por ser de maior dimensão, possibilitando assim um maior afluxo de pessoas.

No Domingo, por volta das 10h15, a Imagem sai da Igreja de São José e é transportada, desta vez para o adro do Santuário, onde é colocada num pedestal, para dar-se início à Solene Concelebração Eucarística, presidida pelo Cardeal, ou Bispo que nesse ano foi convidado para participar nas Festas. Esta cerimónia é acompanhada com cânticos, por um grupo coral.

Em 2013 e pela primeira vez, a missa campal foi realizada no coreto do Campo de São Francisco, por decisão da Irmandade do Senhor Santo Cristo.

Terminada esta cerimónia, a Imagem recolhe novamente ao Santuário, até à hora de início da grande procissão.

Ao longo deste dia de Domingo, o povo começa a aglomerar-se no Campo de São Francisco, procurando o melhor lugar onde possa assistir ao início da procissão, mas sobretudo à saída da Imagem.

A procissão tem o início marcado para as 15h45, hora de saída do Guião. Mas é às 16h30, o momento que todos esperam, quando a Veneranda Imagem finalmente surge à porta do Santuário!

Eis o Homem!
DSC 0073 201x300

Todos os rostos se viram para Ele! Para Este Jesus Cristo, por quem, de perto ou de longe, todos chamam, imploram, suplicam e Lhe agradecem!

É um momento verdadeiramente sublime! De grande emoção! Emoção traduzida no rosto de cada pessoa, com o que de mais íntimo cada um sente!

O estalar dos foguetes, as palmas, a largada de pombas, mas sobretudo as lágrimas, tudo isto é um misto de admiração, de espanto, de humildade e de alegria.

Lentamente, o andor transportado pelos membros da Irmandade, desce a escadaria do adro da Igreja.

É o Senhor no Seu esplendor! É o povo rendido ao Seu olhar! Olhar de dor e tristeza, pelas atrocidades cometidas pelo homem e por quem deu a vida!

E assim começa o grande cortejo.

Neste dia, os habitantes da cidade de Ponta Delgada esmeram-se para que as ruas se tornem em verdadeiros tapetes de flores e as varandas engalanadas com as mais ricas e belas colchas, dignas da passagem de um Rei!

Ao longo do percurso, que dura mais de cinco horas, as ruas estão apinhadas de povo. Para quem chega tarde, muito dificilmente consegue arranjar lugar, onde possa assistir à passagem do Senhor.

DSC 0042 201x300

A procissão percorre as principais ruas da cidade, passando pelas Igrejas e Conventos, sempre com o repicar dos sinos.

Este desejo de Teresa da Anunciada, de ver sair o Senhor em procissão, para que fosse Glorificado como Rei, não só no Convento, mas também fora dele, realiza-se há mais de 300 anos. Esta manifestação de fé e gratidão, acontece no 5º Domingo depois da Páscoa.

Esta caminhada de oração do Povo de Deus, incorpora as mais diversas entidades. Desde o Presidente e demais membros do Governo Regional dos Açores, o Ministro da República, Comandos Aéreo, Militar e Marítimo, Forças de Segurança, Câmaras Municipais, Corpo Consular, Poder Judicial, Ordens, Órgãos Universitários, Congregações Religiosas, Irmandades, Grupos de Romeiros, Corpo de Escutas, Associações, Bombeiros Voluntários, Bandas de Música e milhares e milhares de peregrinos, num único sentimento que a todos une – a devoção ao Senhor.

Com a chegada da Imagem ao Santuário, é colocada no centro do adro, virada para o povo, que vai desfilando na Sua frente, numa última homenagem, num último adeus.

Terminado o desfile, dá-se início à recolha da Imagem. O andor é novamente colocado em ombros, desce a escadaria e um grupo de jovens universitários, num gesto de humildade e agradecimento, estende as suas capas negras, para que o Senhor, na Sua passagem, os abençoe. Chegado o andor ao grande portão, vira-se mais uma vez para o povo e assim, entra pela Porta Regral.

Está terminada a procissão. Aguardemos pelo próximo ano!

Novamente na Roda, a Imagem é retirada do Seu magnífico andor e colocada no andor mais pequeno, sendo-lhe retiradas algumas jóias. Dá-se início à pequena procissão pelo claustro, cujo andor é transportado mais uma vez pelas Irmãs, acompanhadas pelos membros da Irmandade, completando assim o percurso iniciado no Sábado de manhã.

DSC 0082 300x201

Depois de entrar no Coro Baixo, é realizada uma pequena cerimónia de agradecimento, pelo Reitor do Santuário, com a presença das Religiosas e dos membros da Irmandade. De seguida, a Imagem é retirada do andor e colocada no camarim. (pequeno compartimento onde a Imagem permanece durante todo o ano).

O povo, que aguarda na Igreja junto à grade, anseia para que esta se abra, para O contemplarem, no lugar, onde todos os dias, ao final da tarde, pode ser Adorado.

A procissão do Senhor Santo Cristo é a maior que se realiza nos Açores e a de maior devoção.

A religiosidade destas Festas está a cargo da Reitoria do Santuário do Senhor Santo Cristo, sendo as festividades profanas da responsabilidade da Irmandade do Senhor Santo Cristo.

1700 - ANO DA PRIMEIRA PROCISSÃO DO SENHOR SANTO CRISTO

A primeira procissão em honra do Senhor Santo Cristo, segundo o Padre José Clemente no seu livro sobre a “Vida da Venerável Madre Teresa d´Anunciada”, ter-se-á realizado num domingo, dia 11 de Abril de 1700.

Há no entanto quem conteste esta data, e refira que a mesma poderá ter-se realizado em 1698.

O relato sobre esta grande caminhada de fé e devoção, foi baseado nos escritos deixados por Madre Teresa durante a sua vida conventual e por informações de pessoas que viviam em Portugal.

A importância da realização desta procissão, quer no aspecto religioso, quer no aspecto social da vida micaelense foi de tal ordem, que ainda hoje continua a realizar-se.

0D Copia 300x241
Mestre Domingos Rebelo idealizou e desenhou
esta reconstituição artística da primeira
procissão do Senhor Santo Cristo

Foi sempre desejo da Madre Teresa, que o Senhor fosse louvado e adorado, não só no convento, mas também fora dele.Algum tempo antes da realização desta procissão, teve esta Venerável Madre, o pressentimento que o Senhor Santo Cristo iria necessitar de um andor, recorrendo aos dotes artísticos da Madre Jerónima do Sacramento, religiosa do Convento de Santo André, da cidade de Ponta Delgada, (actual Museu Carlos Machado), solicitando-lhe que se encarregasse da execução de um andor com docel.

Quando ficou concluído, enviou-o para o Convento da Esperança, tendo a sua chegada causado grande sensação e deslumbramento. Como não havia lugar para guardá-lo, foi colocado na Capela do Senhor Santo Cristo, que na altura ainda não tinha as grades.

Mas este desejo de Madre Teresa de ver sair o Senhor em procissão, causou-lhe grandes dissabores. Como nessa época chovia muito, era impensável expor a Imagem às intempéries. Daí a muita oposição que ela encontrou para a realização do seu desejo, principalmente por parte da Madre Abadessa Catarina do Espírito Santo, de irrepreensível vida religiosa, que era quem decidia o que se deveria ou não fazer, e não seguir os alvitres de uma religiosa isoladamente.

Mas Madre Teresa não desistiu do seu intento. Sendo uma pessoa obstinada, forte e invencível, convicta de que cumpria as ordens do seu Divino Esposo, não se deu por vencida.

Apercebendo-se das divergências e embora não querendo imiscuir-se nos problemas da vida conventual, o Capitão Donatário, D. José Rodrigo da Câmara, solicitou a autorização para a realização da procissão ao provincial, Frei Gonçalo de Jesus, a qual foi concedida.

No sábado véspera da festa, fez-se a mudança da Imagem do Senhor Santo Cristo do Convento para a Igreja de Nossa Senhora da Esperança, onde foi colocada num majestoso trono num dos altares colaterais. A esta cerimónia assistiram os Condes da Ribeira Grande, toda a nobreza e povo da cidade. Foi celebrada missa sendo muita participativa.

Chegado o grande dia, Domingo do Senhor, o céu apresentava-se coberto de grossas e espessas nuvens, agreste e chuvoso por demais e todos eram de parecer que não se deveria realizar a procissão.

Mas Madre Teresa, por ser obstinada, forte e invencível, convicta de que cumpria as ordens do seu Divino Esposo, pensava de maneira diferente, afirmando que, ao sair a procissão, o céu se tornaria sereno e claro e que em todo o percurso não cairia uma só gota de água.

Tendo por seus aliados os Condes da Ribeira Grande, e como seguissem o parecer de Madre Teresa, quando chegou a hora, formou-se o cortejo e as nuvens começaram a dissipar-se de modo que o tempo ficou claro e calmo.

No cortejo processional incorporaram-se as confrarias e irmandades, as comunidades e colégios e depois toda a nobreza. O andor foi levado em ombros pelas principais pessoas da cidade. Em último lugar ia o pálio com o Santo Lenho e logo a seguir uma inumerável multidão de fiéis, tal como ainda hoje acontece.

As ruas por onde passou a procissão estavam apinhadas de povo com as suas melhores vestes, as fachadas das casas juncadas de verduras e as janelas e varandas, repletas de pessoas e todas engalanadas com as melhores colchas, ostentando a cidade um ar festivo e agradável.

Não é conhecido qual o itinerário desta procissão, sabe-se sim, que passou por todos os conventos da cidade, o que pressupõe um giro muito semelhante ao que veio até ao terceiro quartel do século passado, embora se saiba de algumas alterações ao trajecto, no decorrer do século passado.

Durante toda a procissão não caiu uma só gota de água, enquanto o cortejo percorreu as ruas da cidade, mas depois de recolhida a Imagem do Senhor Santo Cristo e colocada no altar da Sua capela, começou a chover, abundantemente.

Cumpriu-se o vaticínio da Madre Teresa d´Anunciada, porque esta era a vontade do Senhor!

A PROCISSÃO DO ANO DE 1713 E A QUEDA DA IMAGEM DO SENHOR SANTO CRISTO DOS MILAGRES

A ilha de São Miguel foi abalada, no final do ano de 1713, por uma grande crise sísmica, que afectou particularmente as freguesias da Candelária, Ginetes, Várzea e Mosteiros. Em Ponta Delgada, os constantes tremores de terra traziam a população alvoraçada. Ninguém dormia em casa com medo de ficar sepultado sob os seus escombros. As notícias que chegavam de toda a parte mais alarmavam, pois ninguém tinha a vida ou os seus bens a salvo.

Dormia-se ao relento debaixo de árvores ou em barracas improvisadas. As refeições eram feitas e servidas ao ar livre. A água, que era pouca, provinha de poços, pois os aquedutos ruíram e os encanamentos partiram-se não chegando ás fontes.

Nesta tão grande aflição, suplicavam ao Senhor por clemência, buscando na oração o refúgio para a salvação divina.

As comunidades religiosas faziam procissões e invocavam a protecção dos santos da sua devoção.

E foi neste ambiente de calamidade, medo e pavor, que algumas pessoas se lembraram de pedir para se fazer uma procissão com a Imagem do Senhor Santo Cristo.

Mas os prodígios que há muito se vinham observando por intercessão da imagem do Ecce Homo, eram tão evidentes, que os devotos se lembraram com fé que seria Ele o remédio para tão grandes tribulações.

Foram então algumas pessoas ao Convento da Esperança, pedir à Madre Teresa d´Anunciada, que deixasse o Senhor sair em procissão pelas igrejas que tinham o Santíssimo Sacramento. Mas esta decisão não dependia de Madre Teresa, mas sim dos seus superiores. Após algumas hesitações, acabaram por decidir que a Imagem do Senhor Santo Cristo saísse em procissão de penitência pelas principais igrejas da cidade.

Concedida a licença, saiu o Senhor no dia 16 de Dezembro de 1713. Não obstante toda a segurança com que o Senhor ia, caiu fora do andor, não por acaso, mas com tanto mistério!

De repente cessaram os tremores com esta queda, porque as de Deus foram sempre para nosso remédio!

Desta queda apenas resultou uma mancha na capa e uma fenda no Seu braço direito.

Como esta ocorrência deu-se perto do Convento de Santo André (actual Museu Carlos Machado), a Imagem foi levada para lá, onde as religiosas cuidaram da sua limpeza, segurança e até a sua ornamentação, regressando depois ao seu Mosteiro, onde foi recebida com muita alegria.

Se devoção já havia, a partir deste acontecimento o povo clamou por um milagre, passando a Chamá-Lo de  “Senhor Santo Cristo... DOS MILAGRES”.

Segundo o historiador, Dr. Hugo Moreira, depois que se reconstituiu esta ocorrência, por altura da procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o andor fazia uma breve paragem no local da queda (actual rua Guilherme Poças Falcão), em memória deste acontecimento.

Carta que fez a Madre Sacramento1 à Madre Anunciada, sobre a queda que o Senhor deu

“Minha Irmã Teresa da Anunciada. Não há palavras para explicar-vos os extremos tão opostos com que ontem passamos a tarde, a glória de vermos a meu Senhor Santo Cristo tão belo como quem é etc. A pena de prostrar sua beleza aos pés dos homens. E sendo tão milagroso, não quiz livrar-se da queda, para ainda no tempo impassível, dar esta, com que segunda vez satisfizesse à justiça de seu Eterno Pai; que os pecados do mundo naufragaram o preço da nossa redenção. Ai, minha Teresa: não foi acaso a queda, que em Deus não há acasos, nem foi falta de ir com bem segurança: quiz o Senhor fazer pazes entre a terra e o Céu, pedindo a seu Pai com o Divino rosto no chão, misericórdia por minhas culpas, e por isso se deixou cair vindo para a nossa Igreja.

Grande confusão para mim e para todo o povo, que com pedras batiam nos peitos: ainda os sacerdotes, por verem o Céu caído, sem ser pelas portadas do andor, como afirmam os que levavam junto a Ele as tochas: mas por cima do docel, sem quebrar os cordões de oiro de que era tecido: mas adverti se o Senhor não caíra, não se detivera tanto nesta Igreja, enquanto se limpou e consultou pregar-se nela o sermão com que nesse vosso Mosteiro o esperavam; e ficar dentro na clausura o Senhor até hoje pela manhã para o consertarmos e continuar a procissão; Assim o queria o Padre Provincial e nessa dívida lhe vivemos continuamente obrigadas: mas dizem não quiz o Dr. Juiz de Fora por conselhos de outros letrados; não lhes ponho culta, porque sempre em sucessos grandes, há votos diferentes.

O Reverendo Provincial bem se arrependeu de ter dado licença para o Senhor sair pelo muito que lhe custou o sucesso: mas como o Senhor por sua livre vontade o quiz ter para nos obrigar com novos excessos, ao não ofendermos; há-de sair a público todas as vezes que quiser e não poderá então servir de impedimento o sucesso presente.

Ide visitá-lo da parte desta comunidade toda, pois assim me pedem esta ingratas esposas o faço eu. Perguntai-lhe como passa depois da queda? Se renovou as feridas dos açoites, como fez quando deu as três com a Cruz às costas que quer que façamos para seu alívio? Se até aqui lhe damos fel, já queremos dar-lhe o doce da emenda das culpas que para Sua Majestade é o maior regalo. Devíeis estar muito sentida e com razão: mas reparai em que caindo o Senhor de tão alto, com o peso de nossas culpas não quebrou nem ficou com defeito algum sua Divina Pessoa; por esse grande milagre lhe dou muitas graças e a vós o parabém de terdes já cumprido a sua profecia, bem declarada com o suor antecedente e caída da capa a noite antes que saísse, a soltar-se à sexta-feira, ficando o rosto com a cor denegrida e gotas de suor.

Dizei-me com miudeza este raro caso e que razão tivestes para não o revelar a vosso prelado; para se conferir antes da procissão: nem soubestes avaliá-lo como se devia; altos e ocultos são seus juízos, muitos anos logreis a ventura de ser sua escrava. Não vos esqueçais da petição de Dona Maria para vermos esse grande milagre. Adeus Irmã. Adeus que vos guarde como desejo. – Irmã que vos ama muito

Sacramento”

 

A Madre Jerónima do Sacramento, foi religiosa no Convento de Santo André, em Ponta Delgada. Era uma exímia florista, por isso era chamada a freira artista. A ela se deve a execução de uma cana de flores de seda, para ornar o Senhor.

Esta Madre foi a primeira Secretária do Senhor Santo Cristo e da Madre Teresa, pois sempre que era necessário escrever uma carta mais elaborada a qualquer individualidade, era a ela que se recorria.

O andor que saiu nas primeiras procissões, foi feito sob a orientação desta Madre.