Santo Cristo recupera oratórios e cadeiral do Coro Alto do Convento da Esperança

Santo Cristo recupera oratórios e cadeiral do Coro Alto do Convento da Esperança


ARTIGO – CORREIO DOS AÇORES

18 de Janeiro de 2019

 

Equipa de restauro e conservação trabalha a tempo inteiro de forma a garantir a conclusão dos trabalhos até Maio

Santo Cristo recupera oratórios e cadeiral do Coro Alto do Convento da Esperança

A obra de conservação e restauro do Coro Alto do Convento da Esperança, em Ponta Delgada, que decorre desde o final do Verão de 2018, deverá estar concluída a tempo das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Maio deste ano, no quinto Domingo a seguir à Páscoa.
A garantia é dada ao Igreja Açores pelo Reitor do Santuário, cónego Adriano Borges, que espera que o trabalho aqui desenvolvido “possa agradar a todos” e seja “um contributo para a preservação deste enorme património”.
“Esperamos que o trabalho desenvolvido seja do agrado de todos, sobretudo para aqueles que conheceram o estado em que estava o Coro Alto. Julgo que este trabalho de conservação e restauro será uma mais-valia para aquilo que queremos que seja a passagem para o núcleo museológico”, afirma o reitor.
“O Coro Alto e o Coro Baixo, onde se encontra a imagem, serão na essência os dois lugares mais importantes a que se juntará a sala com o tesouro do Senhor Santo Cristo”, esclarece ainda sublinhando a importância desta intervenção.
“Era uma obra urgentíssima pois se não a fizéssemos o espaço corria riscos de desintegração”, refere“Este trabalho que estamos a desenvolver vai ao encontro deste grande projecto de intervenção no conjunto dos diversos espaços adjacentes à Igreja. Depois de uma intervenção no Coro Baixo, ao nível da azulejaria de Oliveira Bernardes, a intervenção no Coro Alto é semelhante procurando encontrar soluções de forma a que o conjunto possa ser fruído”, esclarece, por seu lado, Nuno Proença, um dos 10 elementos da equipa de conservação-Nova Conservação- que está a executar o trabalho, que envolve acções de limpeza, conservação e restauro bem como a compreensão de um percurso histórico ao longo dos tempos.
A intervenção envolve a limpeza e restauro de 18 conjuntos, que incluem 16 oratórios – três dos quais retábulos – e dois portais, bem como toda a estatuária presente e ainda os tecidos que vestem as imagens, e envolve pinturas e recuperação de madeiras.
“São peças únicas, todos têm características particulares e exigem trabalhos diferentes”, afirma por seu lado Liliana Silva, restauradora e conservadora, que integra a equipa.
“ Trata-se de uma grande intervenção para um curto espaço de tempo e por vezes surgem dificuldades que acabam por ser ultrapassadas devido à multidisciplinaridade existente na equipa”, acrescenta.
Depois dos primeiros exames, para perceber os níveis de intervenção, iniciou-se um processo de remoção da sujidade e consequente limpeza com a execução do restauro necessário em cada uma das peças.
“Cada um destes oratórios e retábulos, embora seja uma peça individual deve ter uma leitura conjunta e nós temos de ter isso presente”, afirma ainda Liliana Silva.
“É uma experiência e um privilégio podermos vivenciar o espaço ao mesmo tempo que nele trabalhamos” destaca, por seu lado, Nuno Proença sublinhando que “esta convivência é interessante porque há uma tomada de consciência interna do ato de conservar perspectivando futuras intervenções que já não corram atrás de atrás de crises e emergências mas que as antecipam”.
O Coro Alto da Igreja do Convento da Esperança, é um vasto espaço silencioso, onde se respira um ambiente monástico, convidativo à oração, onde coexistem retábulos e lampadários. O espaço tem uma formação rectangular, apresentando à esquerda e à direita um longo cadeiral, que também irá ser intervencionado, onde as religiosas tomavam lugar durante o serviço religioso. Era, de resto, neste Coro que antigamente as religiosas Clarissas, faziam as suas orações e assistiam à Sagrada Eucaristia e demais festividades.