Plano vai prevenir incêndios no Santuário do Santo Cristo

Plano vai prevenir incêndios no Santuário do Santo Cristo

ARTIGO – AÇOREANO ORIENTAL

14 de Maio de 2019

 

Plano vai prevenir incêndios no Santuário do Santo Cristo

Rui Jorge Cabral

 

O Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres e todo o Convento da Esperança, em Ponta Delgada, vão ter um plano de segurança, que será elaborado até ao final deste ano.
O santuário e o convento integram um edifício que está classificado como património regional e que possui bens, nomeadamente de arte sacra, com enorme valor. Aliás, a imagem do Senhor Santo Cristo e as joias que compõem o seu tesouro têm um valor considerado incalculável.
O plano de segurança para o Santuário do Santo Cristo irá estabelecer procedimentos e atribuir responsabilidades de ação. Até porque todos se recordarão do incêndio que ainda há um mês atrás destruiu parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris.
E se houver um incêndio no Santuário do Senhor Santo Cristo, uma das intenções do plano de segurança será a de determinar como é que será feito o acesso dos bombeiros e da Proteção Civil ao edifício, que de certa forma é um ‘labirinto’ de quartos e corredores.
Mais importante ainda será a escolha de quem ficará responsável por resgatar a imagem do Senhor Santo Cristo e que deverá ser um profundo conhecedor da imagem e da melhor forma de a transportar numa situação de emergência, sem a danificar.
Até porque não será possível instalar detetores de incêndio com jatos de água automáticos junto à imagem do Santo Cristo, porque a água iria pôr em causa a sua preservação. Também será prevista a salvaguarda das principais peças de arte sacra e do tesouro do Senhor Santo Cristo.
O plano de segurança será elaborado através da Secretaria Regional dos Transportes e Obras Públicas, em conjunto com o Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres e em articulação com o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores e com a Direção Regional da Cultura.
Este plano irá traduzir a evolução das preocupações com a salvaguarda do património que existem atualmente e que não existiam no passado, uma vez que, afirma o reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o cónego Adriano Borges, “quando este edifício foi construído, ninguém pensou em como se poderia apagar um incêndio aqui dentro, por exemplo”.
Conforme explicou, por seu lado, a secretária regional dos Transportes e Obras Públicas, Ana Cunha, pretende-se com este plano “prevenir as situações que possam pôr em perigo as pessoas e os bens de elevado valor histórico e patrimonial que se encontram neste santuário, bem como a evacuação em caso de incêndio, sismo ou outra calamidade”. O prazo de elaboração deste plano, estabelecido até ao final deste ano, representa também um desafio “porque não é um plano comum”, lembra Ana Cunha.
As obras que estão a decorrer no Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres e as que estão previstas para todo o Convento da Esperança já estão a reforçar as acessibilidades e as condições de segurança do edifício. Contudo, a segurança será sempre reduzida face aos padrões de construção atuais. Por isso, salienta o cónego Adriano Borges, será muito importante a elaboração do plano de segurança, bem como a colaboração do Governo dos Açores na sua elaboração.
E lembrou que o plano de segurança já terá em conta as intervenções que estão previstas no Santuário do Santo Cristo e em todo o Convento da Esperança, pelo que ele só terá um caráter verdadeiramente efetivo quando as obras se concluírem – o que está para breve no Coro Alto, estando já concluídas no Coro Baixo – onde se encontram a imagem do Senhor Santo Cristo e muitas das obras mais valiosas do Santuário.
As joias do tesouro – entre elas o famoso resplendor da imagem do Santo Cristo – também se encontram já em lugar completamente seguro.
Mas a visita da secretária regional dos Transportes e Obras Públicas ao Santuário do Santo Cristo durante o dia de ontem esteve também relacionada com um protocolo entre o Governo e o Santuário, no sentido de apoiar em cerca de 50 por cento, numa verba de 100 mil euros, os trabalhos de substituição dos telhados do edifício, que se encontravam infestados por térmitas.
Ana Cunha lembrou que este apoio, que será pago “nos próximos dias”, justificou-se devido ao caráter prioritário desta intervenção. A secretária regional revelou ainda que o Governo admite continuar a apoiar tecnicamente as obras no Santuário do Santo Cristo em áreas como a fiscalização, os trabalhos de engenharia ou mesmo o apoio jurídico nos concursos para as várias obras que irão ser realizadas.
“São apoios que não implicam transferências financeiras, mas que disponibilizam recursos das Obras Públicas a favor de uma instituição com a natureza do Santuário do Senhor Santo Cristo”, concluiu Ana Cunha. ♦

Obras de 8 milhões ainda sem financiamento garantido.
As obras previstas para o Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres têm um custo estimado de cerca de 8 milhões de euros, um valor que ainda não está garantido, conforme admite o reitor do Santuário, o cónego Adriano Borges.
Existe vontade por parte do Governo dos Açores em apoiar, mas “ainda não tivemos uma resposta concreta relativamente ao montante a atribuir às obras”, afirma o reitor, salientando que, “desde o primeiro dia, o presidente do Governo se mostrou sensível à recuperação deste património religioso e cultural da Região”. A solução poderá passar, contudo, por um financiamento enquadrado no próximo Quadro Comunitário de Apoio 2021-2027.
As obras começaram pelo Coro Baixo, onde está a imagem do Senhor Santo Cristo e pelo restauro dos painéis de azulejos. Agora, estão em fase de conclusão as intervenções de restauro no Coro Alto, que deverá abrir temporariamente já durante as Festas do Santo Cristo.
As obras no santuário passam neste momento também pela construção de um armazém, que irá receber todo o material das festas, nomeadamente lâmpadas e armações, material que atualmente se encontra espalhado em várias divisões do Convento da Esperança, impossibilitando a realização de um percurso museológico, que é um dos grandes objetivos do reitor, o cónego Adriano Borges, para o renovado Santuário do Santo Cristo.
A intenção deste percurso museológico, explica Adriano Borges, é “que as pessoas vão percorrendo o convento, incluindo o Coro Alto e tomando consciência de como era a vida das religiosas, bem como das evoluções que aconteceram”.
A oficina passará também para este novo armazém, libertando um espaço nobre do convento para ser uma futura sala de exposições permanentes ou temporárias. ♦ rjc

Antiga residência feminina vai acolher doentes deslocados
Com as obras previstas, o Convento da Esperança irá ficar dividido em duas partes: uma dedicada ao percurso museológico e outra que servirá, futuramente, de residência para doentes deslocados.
Esta residência, que deverá ter 32 quartos duplos, resultará da recuperação da antiga residência feminina do Convento da Esperança, que passará a servir para “receber as pessoas que vêm de outras ilhas para São Miguel para fazerem tratamentos médicos, nomeadamente de quimio e radioterapia”, explica o reitor do Santuário, o cónego Adriano Borges.
Esta obra não tem ainda data para avançar e está orçada em cerca de quatro milhões de euros, metade do valor total das obras no Santuário. A residência terá também um refeitório e pretende ser um verdadeiro espaço de acolhimento e não apenas de alojamento de doentes. Conforme refere Adriano Borges, “iremos ter um grupo de pessoas, entre voluntários e técnicos, que irão acompanhar os doentes durante o dia, porque quem já passou por esta experiência sabe o que é ir para um lugar onde não se tem família, onde não se conhece ninguém e onde, depois dos tratamentos, muitas vezes as pessoas ficam fechadas dentro dos quartos de hotel e das pensões o dia todo”. A verba a cobrar aos doentes será o equivalente apenas ao apoio à deslocação que lhes é pago pelo Governo dos Açores, garantindo o reitor do Santuário do Santo Cristo que não haverá mais encargos financeiros para os doentes.
Mas, mais do que a questão financeira, o cónego Adriano Borges salienta o “lado humano e a componente espiritual” que o Santuário do Santo Cristo irá proporcionar aos doentes que ficarem instalados no Convento da Esperança. ♦ rjc