Novo processo para canonização de Madre Teresa d’Anunciada

Novo processo para canonização de Madre Teresa d’Anunciada

ARTIGO – AÇOREANO ORIENTAL

21 de Outubro de 2018

 

Novo processo para canonização de Madre Teresa d’Anunciada

 

O novo processo jurídico, visando a eventual canonização de Madre Teresa d’ Anunciada, está para já numa fase muito inicial. É o terceiro processo com o mesmo objetivo, mas os primeiros dois nunca chegaram a Roma

O Bispo de Angra e Ilhas dos Açores, D. João Lavrador, encarregou o atual reitor do Santuário do Senhor Santo Cristo dos Milagres, o cónego Adriano Borges, da abertura de um novo processo canónico sobre a madre Teresa d’Anunciada.
O cónego Adriano Borges explicou, no programa “O Rosto das Palavras” da Antena 1/Açores, que já foram elaborados dois processos jurídicos, no entanto, nenhum deles chegou à Congregação para as Causas dos Santos, em Roma.
Segundo o cónego, o nome de Madre Teresa d’ Anunciada não consta sequer do Índex da Congregação para as Causas dos Santos, como o próprio pôde constatar quando esteve recentemente no Vaticano.
De acordo com o reitor do Santuário, o primeiro processo foi iniciado a 5 de maio de 1738, por iniciativa do Bispo dos Açores. D. Frei Valério do Sacramento; enquanto o segundo processo canónico, com data de 6 de agosto do mesmo ano, foi iniciado por decisão do Provincial dos Franciscanos nos Açores, e conduzido pela Ordem de São Francisco – tendo resultado destes processos a confirmação da vida virtuosa de Madre Teresa d’ Anunciada.
E, por enquanto, não sabe quais as razões dos dois processos iniciais nunca terem dado entrada naquela Prefeitura da Cúria Romana que processa o complexo trâmite que leva à canonização dos santos.
O novo, e terceiro, processo jurídico, visando a eventual canonização de Madre Teresa d’ Anunciada, está para já numa fase muito inicial, estando predefinida uma comissão encarregue de proceder a um estudo aprofundado e que se prevê moroso, envolvendo especialistas em diversas áreas da investigação religiosa e secular.
Como explicou o cónego Adriano Borges, o processo é considerado “histórico”, pela distância a que se encontra dos acontecimentos que possam provar as virtudes heróicas da religiosa. Mas, vai incluir numerosos depoimentos de irmãs religiosas contemporâneas de Madre Teresa d’ Anunciada e de fâmulas do mosteiro, que testemunharam, entre 1681 e 1738, fenómenos aparentemente miraculosos durante a vida e depois da morte daquela clarissa, natural da Ribeira Seca da Ribeira Grande.
O cónego Adriano Borges esclareceu que a impulsionadora da devoção e culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres não foi abadessa do Mosteiro da Esperança, apesar de terem ocorrido três votações internas sem qualquer sucesso, nem usufrui do título canónico de “Venerável”, introduzido apenas pelo Papa Pio X a partir de 1913, tratando-se somente de um reconhecimento popular acerca do heroísmo inegável das virtudes da Serva de Deus.
Para a atribuição do título canónico de “Venerável” é necessário um processo autónomo para avançar depois para o estágio seguinte, o de beatificação e, posteriormente, o de canonização, exigindo a Igreja Católica a comprovação científica de um milagre para cada uma das últimas duas fases do processo de santificação.
Após a constatação canónica dos dois milagres, o caso é apresentado pela Congregação para as Causas dos Santos ao Sumo Pontífice que decide se deve proceder ou não à beatificação e, posteriormente, à canonização de Madre Teresa d’ Anunciada que faleceu com 80 anos, tendo sido sepultada na Capela do Senhor Santo Cristo dos Milagres no coro baixo do atual Convento da Esperança, estando agora os seus restos mortais depositados numa pequena urna, no coro baixo, junto à restaurada Capela do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

Quem foi Madre Teresa d’ Anunciada?

Nasceu e foi batizada no dia 25 de Novembro de 1658, na freguesia de São Pedro, da então vila da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, Teresa de Jesus, nome escolhido em homenagem a Santa Teresa de Jesus.
Entrou para o Convento da Esperança, onde tomou o nome de Teresa da Nunciada e iniciou o seu noviciado a 19 de novembro de 1681, tendo feito depois os votos solenes a 23 de julho de 1683.
A devoção de Madre Teresa pelo Senhor Santo Cristo deve-se a sua irmã, Joana de Santo António, que lhe fez notar o quanto aquela Imagem era milagrosa, necessitando de ser cuidada e alumiada. Teresa tomou a seu cargo esta tarefa para o resto da vida, o que muito contribuiu para aumentar a sua fé e devoção. Morreu, com fama de santidade, em 16 de maio de 1738.

Paula Gouveia