Equipa restaura azulejos que contam vida de Madre Teresa

Equipa restaura azulejos que contam vida de Madre Teresa

ARTIGO – AÇOREANO ORIENTAL

6 de Fevereiro de 2020

Equipa restaura azulejos que contam vida de Madre Teresa

Uma equipa de restauradores está a trabalhar nos painéis de azulejos que contam a vida de Madre Teresa da Anunciada. Igreja do Santo Cristo está fechada até final do verão, reabrindo apenas durante as Festas, em maio

Uma equipa de cerca de 10 pessoas está a trabalhar, desde a segunda metade de janeiro, no restauro dos painéis de azulejos da igreja do Santo Cristo, que contam a vida de Madre Teresa da Anunciada.
Este é um trabalho delicado, que deverá prolongar-se em duas fases até ao final do verão. Durante os próximos meses, a igreja vai estar fechada, abrindo apenas em meados de maio para as Festas do Santo Cristo.
O restauro dos painéis de azulejos, uma intervenção orçada em cerca de 260 mil euros, está a decorrer simultaneamente aos trabalhos de desinfestação da talha dourada da capela-mor da igreja, que tinha térmitas, tal como a cobertura, que também já está a ser intervencionada.
Para não afetar a folha dourada sobre a talha, a desinfestação está a ser feita com todo o cuidado, com o recurso a agulhas para injetar o produto na madeira sem nada danificar.
Os painéis de azulejos da igreja do Santo Cristo datam de meados do século XIX, têm fragilidades na qualidade do material utilizado originalmente e até se desconhece o seu autor.
Contudo, o seu valor afetivo é imenso, uma vez que os painéis contam a vida de Madre Teresa da Anunciada, a religiosa ribeiragrandense que iniciou o culto ao Santo Cristo. Estes painéis de azulejos dizem tanto às pessoas, que muitos devotos do Santo Cristo rezam aos próprios painéis, nomeadamente ao painel que representa a profissão religiosa de Madre Teresa da Anunciada.
Conforme explica em declarações ao Açoriano Oriental o reitor do Santuário do Santo Cristo, o cónego Adriano Borges, “estes azulejos estavam em franca degradação e a soltarem-se das paredes nalgumas partes, pelo que foi necessário fazermos esta intervenção. Num primeiro momento, estamos a intervir na parede sul, virada para a rua, depois iremos fazer um intervalo para a realização das Festas do Santo Cristo e, finalmente, passaremos para a parede norte”.
Enquanto decorrem as obras no interior da igreja, as missas realizadas no Santuário do Santo Cristo foram transferidas para uma capela no interior do convento. Esta capela acolhe menos pessoas que a igreja, já de si pequena para a afluência normal de pessoas às missas dominicais no Santuário.
Contudo, e para o reitor do Santuário, nem tudo são constrangimentos com as obras, uma vez que agora o acesso ao Coro Baixo, onde está durante o ano a imagem do Santo Cristo, foi bastante alargado, passando de apenas uma hora diária (entre as 17h30 e as 18h30) para mais de oito horas (das 8 às 10 horas, durante a manhã e do meio-dia às 18h30, durante a tarde).
“Para muitas pessoas, isso é uma alegria”, afirma o cónego Adriano Borges, uma vez que para os devotos é bastante melhor rezar próximo da imagem Santo Cristo do que rezar afastado, atrás das grades do Coro Baixo, como acontecia com a igreja aberta.
As obras que estão atualmente a decorrer no Santuário do Santo Cristo integram um vasto plano de intervenções que começou com os restauros do Coro Alto e do Coro Baixo, mas também com a substituição no verão passado do telhado do corpo da igreja, devido às térmitas. Essa intervenção não abrangeu ainda a zona da capela-mor, cuja substituição do telhado deverá ocorrer durante o verão deste ano.
Também o teto da igreja, escurecido com o tempo, deverá ser alvo durante este ano de uma delicada operação de limpeza, para que as cores originais das pinturas possam, de novo, sobressair.
No total, o reitor do Santuário estima que o plano de obras ascenda a cerca de 10 milhões de euros, dos quais apenas cerca de 1,6 milhões já foram ou estão a ser executados. Há, por isso, ainda muita obra a fazer que nem sequer tem data para estar concluída. A principal obra é a construção de uma casa de acolhimento para doentes deslocados em São Miguel e os seus acompanhantes, com 35 quartos e capacidade para 70 pessoas.
O motivo para o Santuário não avançar com datas para a conclusão do plano de obras é o financiamento. Conforme refere Adriano Borges, “sabemos à partida que este é um projeto que irá levar bastante tempo, desde logo pela questão financeira, porque é impossível ao Santuário suportar os custos totais desta obra”.
Para além dos apoios que possam vir das entidades públicas regionais, a expectativa do Santuário do Santo Cristo é também a de poder concorrer a fundos do próximo Quadro Comunitário de Apoio, uma vez que se está a intervir num património imóvel classificado.
Por enquanto, trabalha-se no restauro dos azulejos da igreja do Santo Cristo. A coordenadora desta intervenção é a restauradora Telma Gomes, da empresa Nova Conservação, de Lisboa.
Telma Gomes recorda em declarações ao Açoriano Oriental que “já fizemos todo o trabalho de diagnóstico dos painéis, para perceber em que condições estavam os azulejos e já procedemos também ao levantamento das peças em risco de queda ou empolamento”.
Num trabalho muito manual, minucioso e por vezes feito com pinças e à lupa, a equipa de restauradores está a trabalhar nas várias peças que já foram retiradas das paredes da igreja.
Telma Gomes explica ainda que o mais complicado deste trabalho “é a fragilidade dos azulejos, com uma camada de revestimento vidrado muita fina em algumas secções”.