Assinala-se hoje 362 anos do seu nascimento

Assinala-se hoje 362 anos do seu nascimento

ARTIGO – CORREIO DOS AÇORES

25 de Novembro de 2020

 

Assinala-se hoje 362 anos do seu nascimento

Processo de canonização de Madre Teresa d´Anunciada continua em lista de espera

Assinala-se neste dia 25 de novembro, a data do nascimento de Madre Teresa da Anunciada, conhecida como a freirado Senhor Santo Cristo dos Milagres, tendo sido no mesmo dia batizada, na freguesia S. Pedro da Ribeira Seca, há precisamente 362 anos, destacando-se hoje uma figura tão devotamente acarinhada pelo povo micaelense.

“Ela já é santa, só falta que a igreja o reconheça”, disse o Pe Agostinho Pinto.

Por isso, importa neste dia fazer a lembrança desta distinta clarissa, do Convento de Nossa Senhora da Esperança, cuja vida e obra se encontram amplamente divulgadas em inúmeros livros que relatam as virtudes de Madre Teresa da Anunciada.

Aurélio Granada Escudeiro, antigo Bispo de Angra, foi um grande impulsionador do culto ao Senhor Santo Cristo dos Milagres, tendo para o efeito convidado para presidirem às grandiosas festas micaelenses Bispos e Cardeais de diversas partes do mundo, e mandado que se preparasse a introdução do processo de beatificação da Veneranda Madre Teresa d’Anunciada, de que obteve da Conferência Episcopal Portuguesa o “nihil obstat”.

No livro “A vida e virtudes de Madre Teresa D’Anunciada ”, D. Aurélio declara que sem pretender antecipar o juízo da Santa Igreja, ele crê poder dizer que a

vida da Madre Teresa foi exemplo de virtudes heróicas, atingiu vida interior profunda, alto grau de fé e de amor a Deus e ao próximo, brilhando nela uma santidade autêntica, feita de humildade e do cumprimento exato do dever e

de grande penitência, tudo isto a par de um grande equilíbrio psíquico. Isto nos é profusamente manifesto no relato dos prodígios do Senhor Santo Cristo e da sua vida, que ela escreveu por ordem do confessor.

Em outro livro, de autoria do Pe Agostinho Pinto, é referido que a investigação que aquele sacerdote empreendeu começou no tempo de D. Aurélio Granada Escudeiro, que lhe pediu para fazer uma autobiografia da religiosa.

Na altura “não apreciava a Madre Teresa porque tinha dela a ideia de uma religiosa da piedade” mas à medida que foi lendo os seus escritos e os foi decifrando, deparou-se com uma mulher de fibra, vigorosa e assertiva”.

Segundo aquele sacerdote, que viveu alguns anos nesta ilha, a imagem que passam desta mulher não corresponde ao seu real valor. Na juventude pode ter sido dependente e limitada, mas à medida que a sua fé foi amadurecendo, ela tinha a plena convicção que o que defendia era a vontade do Senhor Santo Cristo e afrontava toda a gente, inclusive o Rei, não escondendo, por isso, a sua verdadeira paixão pela vida e obra desta clarissa.

Na altura do lançamento do livro “Duas Almas Gémeas: Santa Margarida e Madre Teresa da Anunciada” de autoria do padre da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, Agostinho Pinto, o Bispo Emérito de Angra, D. António de Sousa Braga, destacou a importância daquele trabalho de investigação para uma melhor compreensão do sentido de misericórdia divina tão sugestivamente revelada no Ecce Homo, tão bem retratada na imagem do Senhor Santo Cristo e cujo culto a Madre Teresa soube difundir e aprofundar, apelando para não perdermos de vista esta publicação.

Nos dias de hoje, como no passado, há relatos de prodígios que populares dizem terem sido obtidos por intercessão de Madre Teresa da Anunciada e que merecem um acompanhamento sério e profundo, pela forma extraordinária como são relatados. O amor de Madre Teresa ao Senhor Santo Cristo e o zelo pela sua glória marcaram profundamente a alma do povo micaelense, de tal modo que jamais morreram ou afrouxaram, desafiando mesmo os tempos e continuam a comover e a enriquecer a devoção popular e a constituir um dos mais notáveis acontecimentos na vida do nosso povo, sendo este facto um autêntico milagre de fé.

António Pedro Costa